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    quarta-feira, 30 de setembro de 2009

    RELEMBRANÇAS PELO MUNDO DA BOLA

    Sabe aquele momento em que você precisa de uma força para resolver alguma situação. Não importa de que forma venha a ajuda ou de quem venha a ajuda. Depois, o alívio e a eterna gratidão. Nas andanças pelo mundo da bola ocorrem muitas situações assim. Lembro-me, agora, de uma "mão" dessas situações, entre tantas outras.

    O baiano Raimundo Nonato Tavares da Silva tem uma paciência de elefante. Em 1992, quando tinha fama de goleador e vestia a camisa do Fluminense (RJ), já era assim, mesmo com o título de campeão brasileiro.
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    O Bahia foi jogar nas Laranjeiras, estádio do Fluminense, numa noite em que a torcida pegava no pé dos jogadores. O Fluminense venceu e Bobô (foto) foi substituído no segundo tempo. Quase uma hora depois do encerramento do jogo fui ao vestiário e lá estava Bobô, sentado, solitário, com uma camisa suada nas mãos.
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    Não acreditava mais que o encontraria. E só fui lá por insistência do narrador Ivanildo Fontes, com quem transmiti o jogo naquela noite, torcedor do Fluminense, a quem Bobô havia prometido a lembrança. Paciência incomum às estrelas.
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    O catarinense Vitalino Adolfo Barzotto, hoje com 46 anos, tem uma fisionomia diferente em relação àqueles 29 anos, em 1992, quando jogava no Criciúma (SC). A forma gentil de ser é que não mudou.
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    De novo, eu e Ivanildo Fontes escalados para a cobertura do jogo Criciúma x Vitória, num domingo frio, em Criciúma. Na manhã do sábado, véspera do jogo, resolvemos caminhar até o estádio Heriberto Hülse. Lá, soubemos que o craque do time acabara de deixar a concentração. O meia Grizzo (foto) estava sendo contratado pelo Bahia. Uma notícia bombástica!
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    Nos informamos e corremos até o apartamento do Grizzo. Ele já estava de saída, mas não nos negou atenção nem a informação. Ainda não tinhamos telefone celular. Tinhamos a notícia e o programa esportivo ao meio-dia. Orientamos a produção, usamos o telefone do próprio Grizzo e demos um banho de audiência na concorrência. Infelizmente, Grizzo não deu certo no Bahia.
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    O paranaense Agnaldo Cordeiro Pereira ficou conhecido nacionalmente pelos gols que marcou com a camisa do Vitória (BA), em 1996, e entre os cronistas criou um grande círculo de amizades pelo gosto de uma boa conversa.
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    Em 2004, já veterano mas farejador das redes, foi contratado pelo Fortaleza. A apresentação aconteceu no estádio Presidente Vargas, numa noite de jogo do tricolor - não lembro-me qual. Eu estava na cabine da Rádio Globo, ao lado do narrador Júlio Sales, quando vi que o atacante Agnaldo Capacete (foto) estava subindo as arquibancadas. Ninguém o reconhecia.
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    Avisei ao Júlio e foi ao encontro dele. Não poderia perder aquele momento propício para apresentar o artilheiro à sua nova torcida. Antes de solicitar a entrevista, fui surpreendido. Agnaldo abriu os braços e disse: "O que está fazendo aqui... você não é o Lacerda?". Foi um reencontro feliz.
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    O outro baiano Alexandro Alves do Nascimento, sisudo, monossilábico, mas nunca negou-se a compartilhar de momentos extrovertidos. O sorriso curto e as comemorações exóticas para seus gols foram marcas registradas.
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    Um belo fim de tarde, no início da temporada de 2008, eu estava chegando à emissora quando o telefone tocou. Era o companheiro Aloísio Lima, repórter setorista do Fortaleza, dizendo que tinha uma surpresa para mim, direto do Pici, onde ocorria o treino.
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    Do outro lado da linha estava Alex Alves (foto), com o mesmo jeito acanhado de falar, sorriso curto, lembrando de detalhes daquele distante 1995, quando jogava no Vitória (BA). Numa hora dessas, a lembrança viva, a satisfação, o reconhecimento não têm preço.
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    Como toda mão tem o dedo mindinho, essa não seria diferente. O terceiro baiano dessas relembranças, "quinto dedo", Marcos André Batista Santos é diferente dos outros. Jeito bonachão, bon vivant, sorriso largo, não é bom de memória.
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    Como todo filho prodígio, sempre cuidou dos familiares e dos conterrâneos. Um dia, um homem puxou do bolso uma foto de Vampeta (foto) como se fosse uma imagem de um santo e confessou-me: "Tenho um barraco porque ele me deu. É meu sobrinho".
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    Em Nazaré das Farinhas (BA), sua terra natal, comprou o único cinema da cidade, atendendo a apelo popular, para evitar que o prédio se transformasse numa dessas igrejas comerciais. Eu não tive a mesma sorte. Depois de vários anos, já no Corinthians (SP), cobrei minha camisa prometida pelo craque. A resposta foi curta: "Esta já prometi à minha tia". Nunca mais o encontrei.

    terça-feira, 29 de setembro de 2009

    ZEBRAS AINDA EXISTEM E ASSUSTAM

    Não confundam alhos com bugalhos. Cuidado com as zebras!
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    Às vezes, o torcedor se comporta como paciente que procura o psicanalista. Sai de lá revoltado porque queria ouvir do médico que tudo que faz é correto. Xinga toda a geração daquele profissional e diz que saiu pior. O torcedor não gostou quando eu disse que o Campinense (PB) foi um time fraco tecnicamente na derrota para o Fortaleza, por 3 a 0, no Castelão. E foi. Hoje, contra o Ceará, no Amigão (PB), é outro jogo.
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    No segundo turno, em quatro jogos domésticos, o Campinense não perdeu nenhum (ganhou três e empatou um). A torcida tem sido um forte aliado. Os números frios, no entanto, apontam o Ceará como favorito (12% a mais de chance). Mas, atenção! A segunda opção é a vitória do Campinense, que em casa tem agido como verdadeira raposa.
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    Já o Ipatinga, no segundo turno, ganhou duas e perdeu duas. É um time traiçoeiro e tem a volta do artilheiro Marcelo Ramos. O Fortaleza tem mais uma batalha pela frente para continuar marchando firme em direção à porta de saída da Z-4. Todo cuidado é pouco. Os números frios apontam vantagem do Fortaleza (26% a mais de chance), mas a segunda opção é a vitória do Ipatinga.
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    O que há de errado no divã de Freud? Estou avisando: a Raposa continua sendo o azarão e não pode ter chance do Vovô. O Tigrinho, convenhamos, não pode mandar no reino do Leão. Para os que acham que louco é quem aconselha, restam-lhes as zebras. E estamos conversados.
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    Ouça Ceará x Campinense, às 19h30min, e Fortaleza x Ipatinga, às 21h50min, pela Rádio Globo Fortaleza: http://www.radioglofortaleza.com.br/
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    Leia detalhes da rodada: http://www.artilheiro.com.br/
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    Acompanhe os resultados, em tempo real: http://www.artilheiro.com.br/v2/aovivo.asp
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    Outras informações: www.twitter.com/jlacerdacomenta

    segunda-feira, 28 de setembro de 2009

    NO DIA EM QUE RIVALIDADE VIRA DEPENDÊNCIA

    A sensação de vingança do torcedor é a mesma em qualquer lugar e não é diferente de um time para outro. No caso dos tricolores e alvinegros, é melhor que não haja vingança. Os deuses da bola cuidaram de colocá-los dependentes um do outro na tentativa de fazê-los entender que a rivalidade não significa somente "matar" o outro. Significa, também, "salvar" o outro.
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    Quatro rodadas atrás o quadro permitia pensar diferente. Daqui em diante, não. Nas 12 rodadas restantes da Segundona, tirando a 28ª do clássico-rei (Ceará x Fortaleza), tricolores e alvinegros terão os mesmos objetivos: vencer seus adversários simultaneamente. O tropeço de um pode comprometer o interesse do outro.
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    Começa pela 26ª rodada, nessa terça-feira, com Campinense x Ceará, às 19h30min, no estádio Amigão (PB), e Fortaleza x Ipatinga (MG), às 21h50min, no estádio Castelão (CE). Qual torcedor tricolor não deseja uma derrota dos paraibanos combinada com uma vitória do Fortaleza? Qual torcedor alvinegro não deseja uma vitória do Ceará e, mesmo um pouco distante, uma derrota do Ipatinga para não aumentar a lista dos alucinados pelo G-4?
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    Na 28ª rodada, salve-se quem puder. A partir daí, olhares na mesma direção e ambos chegarão felizes ao final da jornada. Olhares distintos e a felicidade não será geral. Menos mal para o Ceará, é verdade, que deixará de ascender à primeira divisão. Pior para o Fortaleza que poderá despencar para o limbo da terceira divisão.
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    Pensar que é melhor o Fortaleza rebaixado que o Ceará na Série A; ou, que é melhor o Ceará continuar na Série B que o Fortaleza escapar do rebaixamento parece ser um pensamento mais bizarro que o próprio masoquismo. Aos incrédulos, recomendo que analisem com bastante calma cada confronto e tirem suas conclusões.
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    Depois do clássico, que rodada pertinente: ABC de Natal x Ceará e Fortaleza x Figueirense. Hoje, o time potiguar briga com o Fortaleza para sair da Z-4; o Figueirense está a dois pontos do Ceará. Até lá, poderá até ter tirado o alvinegro do G-4. Nesse caso, uma vitória tricolor combinada com uma vitória alvinegra seria o ideal. É apenas uma das hipóteses, nada mais que hipóteses.

    sexta-feira, 25 de setembro de 2009

    RAPOSA É O AZARÃO DA RODADA

    A raposa é um mamífero carnídeo, da família dos carnívoros, cuja alimentação é basicamente a carne de outros animais. Portanto, que se cuide o leão. Minha avó não gostava das raposas que visitavam as redondezas do casarão onde ela morava, na zona rural, em Amélia Rodrigues, uma pequena cidade no recôncavo baiano. Com as raposas por perto, as galinhas estavam ameaçadas.
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    Brincadeiras à parte. O Campinense (PB) é a grande ameaça dos três jogos dessa noite pela 26ª rodada da Segundona. Saiu da lanterna, atingiu a 18ª posição, e chega ao estádio Castelão, em Fortaleza, com fome de vitória para deixar a zona de rebaixamento. O treinador Freitas Nascimento não tem o meia Luciano nem o lateral-direito Fábio Santana.
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    O Fortaleza tem treinador novo, Roberto Fernandes, que ganhou mais quatro reforços: o goleiro Vladimir, os laterais Marcos Tamandaré e Jean e o zagueiro Rocha, mas nenhum estreia. O principal reforço está na comissão técnica: o ex-meia Cleisson. Ele "lavou a roupa suja" com o elenco para acabar com as "igrejinhas".
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    Depois de uma semana agitada, o Fortaleza segue a missão de vencer pequenas batalhas que compõem a guerra da Segunda Divisão. Até o pai-de-santo, Chiquinho de Xangô, entrou em cena para ajudar com "as forças ocultas". Terminou em polêmica e opiniões divididas internamente. Seja lá como for, o Leão Tricolor cuide de eliminar a Raposa Rubro-Negra.
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    São Caetano x Ceará
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    Curado do golpe do gol de mão do atacante Wellington Silva, na derrota para o Paraná Clube, por 1 x 0, em pleno estádio Castelão, o Ceará enfrenta o São Caetano, no estádio Anacleto Campanella, em São Caetano do Sul (SP). Esse jogo cheira decisão. Quem vencer garante vaga no G-4. O Ceará já está lá, na quarta-posição, com 43 pontos. Se vencer, o São Caetano também chega aos 43 pontos, mas fica com 13 vitórias - uma a mais que o Ceará.
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    O São Caetano não terá o volante Adriano, mas está embalado pela vitória, por 3 x 1, sobre a Ponte Preta. O Ceará terá time completo e garante que a "mão maldita" já é coisa do passado. Depois de seis semanas, o treinador PC Gusmão volta a escalar o time que atravessou a tabela para chegar ao G-4.
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    Detalhes da rodada, clica aqui: http://www.artilheiro.com.br/
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    Ouça a transmissão de Fortaleza x Campinense / São Caetano x Ceará, aqui: http://www.radioglofortaleza.com.br/
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    Acompanhe os resultados da rodada em tempo real, aqui: http://www.artilheiro.com.br/v2/aovivo.asp

    CARTA PARA DIZER QUE O SONHO ESTÁ VIVO

    Todo jovem sonha, dormindo. Poucos sonham, acordados.

    Um certo dia do mês de julho passado eu recebi um pedido. Um garoto, de 15 anos de idade, sonhava em ser jogador profissional de futebol, estava treinando há quatro meses no Ceará Sporting, sob o comando de Dilmas Filgueiras, mas não era aproveitado. O time viajou e ele não entrou na delegação. Chateado, queria saber se um pedido meu o ajudaria. Respondi que o bom jogador não precisa de cartão-amigo. O incentivei a treinar ou até buscar outros horizontes.

    Para minha surpresa, recebo uma carta cheia de esperança, entusiasmo, carinho, gratidão e certeza da vitória. Relata que, em menos de um mês, saiu do esquecimento do Ceará para o time titular Sub-15 do Sport Clube Recife (PE). Enfrentou 76 garotos, ficou entre os 12 melhores, passando pela peneirada como um dos dois que restaram federados pelo Sport.

    Detalha com alegria a estrutura do Sport para as categorias de base, "que nenhum clube do nosso estado possui". Como adulto, diz que "aprendi desde cedo que temos de lutar pelos nossos sonhos e jamais desistir deles". Saudade e distância são superados pelo calor humano de um tio que o acolhe no bairro Boa Viagem, zona sul de Recife, com escola e conforto.

    Em Limoeiro do Norte, a 198 km de Fortaleza, família e amigos saudosos torcem por ele. Sua consciência é maior ainda: "Muitas vezes, a gente fica assim, com saudades de casa, mas sabemos que além de ser um sonho, é a minha chance de vencer na vida... não posso só pensar em mim...tenho que pensar em muitas outras pessoas, que dependem e precisam que eu vença na vida e deem uma vida melhor, para eles...".

    Faz questão de informar que jogou sábado, pelo campeonato pernambucano, venceu e fez o segundo gol de um placar de 3 x 0. Humilde e convicto, profetiza: "Se Deus quiser, vamos ser campeões pernambucanos e irei logo logo, ser profissionalizado e jogarei em grandes clubes do Brasil e do mundo é claro... Seleção Brasileira, que é o sonho de todo jogador do nosso país".

    Finaliza com agradecimentos a mim e às "bençãos de Deus" por ter ido para Recife. De tão focado no propósito não lembrou de citar o nome do tio nem o próprio nome. Um dia ecoarão das arquibancadas, o aplauso e o refrão: "Samuca, Samuca...". Quem leu essa história lembrará que o sonho acordado sempre será materializado.

    Ah! Esqueci a foto dele, mas vou postar aqui.

    quarta-feira, 23 de setembro de 2009

    VESTIDO COR-DE-ROSA NELES!

    Depois do primeiro dia agitado do treinador Roberto Fernandes, no Pici, ocorre-me uma pergunta óbvia: Qual será o método utilizado por ele para punir aqueles que não jogarem bem? Certamente não aplicará de novo a punição que levou o meia Jairo (foto) ao noticiário "engraçadinho" naquela quarta-feira, dia 19 de março de 2009, quando o Figueirense realizou um treino coletivo.
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    E o time não havia perdido. Pelo contrário, havia vencido o Marcílio Dias, no domingo, na sétima rodada do returno do campeonato catarinense. Jairo não esteve bem no treino do dia anterior e teria de pagar um mico. Treinou de camisola cor-de-rosa e teve um bom desempenho para não pagar outro mico.
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    O restante todo mundo já sabe. Quem não sabe ou já esqueceu pode conferir, com direito a vídeo: http://www.clicrbs.com.br/esportes/sc/noticias/default,2445844,Roberto-Fernandes-e-Jairo-explicam-castigo-do-vestidinho-rosa-no-Figueirense.html .
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    Fernandes tem razão. As punições sempre existiram, mas aquela foi a mais polêmica de todas. Eu conheci preparador físico que chamava o jogador "baladeiro" para puxar a fila e avisava que não queria ninguém vermelho com a desculpa do sol quente do verão. Outros que instituiam uma caixinha (espécie de multa em dinheiro) e os "baladeiros" com fraco desempenho eram penalizados.
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    Os tempos são outros, mas a necessidade de vencer para evitar o rebaixamento continua existindo e, no caso do Fortaleza, a ameaça é real. Até agora, os jogadores estão ganhando. Está suspensa a intertemporada, os salários estão em dia e ninguém foi dispensado, apesar do anúncio de mais seis contratações - somente o goleiro Eduardo, 32 anos, confirmado.
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    Cleisson tem a senha, Roberto Fernandes tem o poder, mas são eles (jogadores) quem vence ou perde os jogos. Nesse intrincado pensar ainda não arrisco apostar em ninguém. Em outros tempos já teria aparecido um "cardeal" com uma botija de dinheiro para promover um dos maiores absurdos do futebol que é o tal "bicho pela classificação". Eu prefiro a camisola cor-de-rosa até aprender.

    FORTALEZA E A MÍSTICA DO FUTEBOL

    O Fortaleza viveu uma terça-feira tensa e mística com um final feliz. A contratação do treinador Roberto Fernandes (foto) só foi confirmada depois das 18h após muitas idas-e- vindas. Até que isso acontecesse, o interino Cleisson já havia se reunido com os jogadores e acompanhado uma sessão de treinos e o pai-de-santo (caricatura), Chiquinho de Xangô, havia comparecido ao Pici para oferecer ajuda espiritual ao clube.
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    Flávio Araújo, Luiz Carlos Cruz, entre outros nomes foram especulados. Roberto Fernandes topou o desafio, traz o auxiliar técnico Luiz Müller e pechinchou a contratação de cinco jogadores. Os dois chegam nessa quarta-feira, em caráter de urgência, para comandar o time no sábado, no Castelão, contra o Campinense.
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    Cleisson assume a função de coordenador-técnico e já começou a trabalhar duro. Sem o zagueiro Everaldo, o volante Coutinho e o meia Rogerinho (suspensos), escalou o time com Douglas, Dedé, João Leonardo (Gilmack), Édson e Eusébio; Leandro, Ticão, Renan (Saulo), Cristian e Élton; Luiz Carlos. Dois zagueiros, três volantes, dois meias e um atacante.
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    Depois, convenceu a diretoria a abortar (desistir) a ideia de realizar uma intertemporada no município de Paracuru, distante 87 km de Fortaleza, até o dia 10 de outubro, período de quatro rodadas, incluindo o clássico-rei (Ceará x Fortaleza). Foi o primeiro pedido dos jogadores ao novo coordenador. O restante da conversa não vazou para a imprensa.
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    Com ajuda de pai Chiquinho de Xangô ou não, a verdade é que a terça-feira terminou bem. Os dirigentes puderam respirar aliviados. A torcida ganhou ânimo novo. Os jogadores lavaram a "roupa suja" e ganharam a primeira queda-de-braço. A maioria deles já estava incomodada com o retiro forçado. Resta saber se vão retribuir à altura - correndo mais e jogando mais.
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    Estão lembrados do posts anteriores: "Silêncio, frieza e orgulho vencem batalha" e "Sem os Fernandes, Cleisson tem a senha"? Roberto Fernandes preenche a figura do comandante e Cleisson a figura do estrategista que flutuará entre tropa e generais. O tempo é curto, a primeira batalha já foi perdida (Juventude 2 x 0 Fortaleza), restam poucos tiros a serem dados.

    segunda-feira, 21 de setembro de 2009

    SEM OS FERNANDES, CLEISSON TEM A SENHA

    O Fortaleza segue sua via-crucis. A proximidade do calvário apavorou mais ainda a diretoria tricolor. O treinador Márcio Fernandes não suportou a pressão e foi demitido. Depois de mais uma negativa de Givanildo Oliveira, o diretor de futebol, Renan Vieria, está próximo de confirmar a contratação do treinador Roberto Fernandes (qualquer semelhança com o Márcio é mera coincidência), que pediu um tempo, até quarta-feira, para responder.
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    Qual será o receio de Roberto Fernandes? Talvez a resposta esteja "lacrada" nas declarações do treinador interino, Cleisson, prestadas ao repórter Aloízio Lima, da Rádio Globo Fortaleza. Segundo Cleisson, "os jogadores me confidenciaram coisas que não confidenciaram a Márcio Fernandes nem aos dirigentes".
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    Nessa terça-feira, segundo Cleisson, haverá uma reunião entre ele os jogadores para esclarecer tudo. Está cada vez mais claro que o problema do Fortaleza não se resume a deficiência do treinador (seja lá quem for). Além dos erros administrativos e contratações equivocadas, existem problemas no grupo que prejudicam o rendimento técnico do time.
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    O Fortaleza vem tentando contratar um disciplinador, um "carrasco". Por isso, fixou-se em Givanildo Oliveira, que resistiu e não veio. Não basta contratar um "carrasco" ainda que traga uma chibata na mão. Método ultrapassado. O Fortaleza precisa resolver seus problemas, inclusive a disciplina, é verdade, mas não por esses caminhos.
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    Ainda há tempo para corrigir alguns erros, o time ainda tem jeito. Mantenho o raciocínio do post anterior, antes do jogo contra o Juventude, em que fiz uma analogia com uma tropa em um campo de batalha. Uma vez sem comando, a tropa precisa receber um comandante que tenha vasto conhecimento das angústias e habilidade para gerenciá-las.
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    Perfil, competência, experiência, estilo pouco importam nesse momento da crise. É preciso atacar o "câncer" que consome o time lentamente. Pode estar no grupo ou fora dele. O ideal é que seja eliminado já e definitivamente. Não é uma tarefa para "carrasco", mas sim para quem tem trânsito fácil entre jogadores e dirigentes e crédito com os dois. Seria o Cleisson? A resposta não deve demorar.

    A MÃO DO PECADO. SÓ O ÁRBITRO NÃO VIU.

    O atacante do Paraná Clube, Wellington Silva, entrou na lista dos jogadores de futebol que conseguiram enganar o árbitro com a utilização da mão. Para alguns, "mão boba", quando é utilizada no futebol. O árbitro alagoano Charles Hebert Ferreira tem o consolo de estar acompanhado de árbitros nacionais e internacionais. Mas, nenhum deles foi enganado de forma tão boba. O futebol só estará livre desses espertalhões quando usar o recurso da tecnologia. Uma simples conferência do lance e o gol seria anulado, o espertalhão punido e o espetáculo não seria carimbado com a desconfiança de todos. Fica, sempre, uma dúvida: incompetência ou malandragem?

    sexta-feira, 18 de setembro de 2009

    SILÊNCIO, FRIEZA E ORGULHO VENCEM BATALHA

    Faltam três rodadas até a data do clássico-rei Ceará x Fortaleza, dia 2 de outubro, na 28º rodada. Já comentamos sobre esse detalhe, que pode ser uma pedra no caminho tricolor, em busca da salvação na guerra da Segundona. Antes desse momento, o Juventude, o Campinense e o Ipatinga serão os divisores de água. A luta, de fato, começa nesse sábado, no estádio Alfredo Jaconi, na gelada Caxias do Sul (RS). Vencer os gaúchos nesse jogo seria como vencer a primeira batalha.
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    O principal efeito seria acalmar os nervos. O ambiente ficaria mais propício para ganhar, em casa, a segunda batalha (Campinense) e a terceira (Ipatinga). Os nervos chegariam equilibrados no clássico. Caso contrário, o estrago seria imprevisível e incalculável. Não tenho dúvidas que as falhas do goleiro Douglas, contra o Duque de Caxias, já foi a contaminação do nervosismo.
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    Talvez fosse melhor que o time tricolor continuasse longe daqui. Assim, jogadores e comissão técnica estariam menos expostos aos ataques de nervos de parte da torcida, de dirigentes e até de cronistas-torcedores. A concentração imediatamente após a chegada da delegação, na segunda-feira, pode neutralizar um pouco, mas ainda não seria o ideal para isolar o grupo.
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    A calma é o melhor remédio que resta ao Fortaleza nesse momento. Não adianta mais demitir treinador, pressionar o grupo ou até mesmo ameaçar (mal-exemplo da Portuguesa). Chega de erros. O acúmulo de tantos erros ao longo da temporada resulta, hoje, numa campanha confusa e desalentadora.
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    Dirigentes erraram desde a contratação do gaúcho Paulo Pelaipe, de jogadores sem qualidade, troca apressada de treinadores, avaliações equivocadas, liberação de jogadores jovens com qualidade pela impaciência. Foram tantos os erros. Não adianta contá-los. Os dirigentes têm o dever de corrigí-los, não agora. A principal atitude, agora, é transmitir tranquilidade ao grupo.
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    O Fortaleza entrou numa guerra, errou no planejamento, na estratégia, na seleção dos soldados, na qualidade da munição e caiu no buraco do rebaixamento. Precisa vencer três batalhas para chegar fortalecido ao principal confronto, ainda que não aspire mais o título. É Nessa hora que os comandantes abandonam todas as técnicas e enchem seus soldados de orgulho e força.
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    Fracos, covardes, incompetentes e falastrões precisam ficar longe da tropa. Muitos comandos confundem. Gritos desordenados desnorteiam. Toda desordem precisa ser superada, agora, com equilíbrio e reconhecimento das próprias fraquezas. Apesar de tudo, o Fortaleza tem o mais importante da batalha: pontaria para acertar no alvo. Eu ainda acredito!

    quinta-feira, 17 de setembro de 2009

    TROCA QUE VALE UMA MEGA-SENA

    Milhares de brasileiros lotam as casas lotéricas, Brasil afora, todas as semanas, alimentando o sonho de ganhar a aposta da Mega-Sena. É tão difícil acertar que, muitas vezes, o prêmio fica acumulado por mais de uma semana. Pois bem, o Esporte Clube Vitória ganhou um prêmio de R$ 11 milhões sem apostar. Já postei comentário, aqui, defendendo a mesma idéia aplicada pelos dirigentes do rubro-negro baiano.
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    O Vitória e o Governo do Estado da Bahia simplesmente aplicaram o rudimentar modelo comercial de troca. Um (Vitória) não tem dinheiro, mas tem como prestar serviços sociais a uma comunidade com quase 200 mil habitantes; outro (Governo) tem a verba, mas "não aprendeu ainda" a cuidar de projetos sociais de massa. Até porque é a comunidade quem sabe do que precisa, mas os interesses (povo x governo) nem sempre são comuns.
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    Sem discutir, aqui, quem ganhou mais, o Vitória está cedendo uma área de terra de 2.000 m², convenhamos pouco para seus 269.209 m² do Complexo Toca do Leão (2º maior do país), onde estão instalados o Centro de Treinamento Manoel Pontes Tanajura e o Estádio Manoel Barradas, o Barradão, no bairro de Canabrava, zona norte, periferia de Salvador.
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    O Governo vai investir R$ 11 milhões na construção de uma escola municipal, cinco quadras poliesportivas, um ginásio de esportes climatizado e três campos para treinamento - um deles com arquibancada e vestiário (de olho na Copa de 2014) -, além de estacionamento urbanizado. Os dirigentes conseguem executar um projeto que dormia na prancheta há vários anos.
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    O Vitória ganha um reforço e tanto na infraestrutura; a comunidade de Canabrava e bairros vizinhos ganha equipamentos jamais oferecidos pelos governos. Isso mesmo. A comunidade terá direito a utilizar os equipamentos em dias programados, sem qualquer restrição aos que torcem por outros clubes.
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    Administrativamente bem costurados, projetos como esse ainda poderiam se estender aos atendimentos médico-odontológicos, a palestras educativas, pequenos cursos na área esportiva, atividades esportivas nas áreas olímpicas, enfim. A instituição, seja ela qual for, estaria tirando um peso das costas do governo e, certamente, servindo melhor sem o rótulo oficial.
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    Bem que esse velho modelo de troca pode ser seguido pelo país afora. Todos vão sair ganhando. Os governos vão pagar antigas dívidas sociais sem sobrecarregar a máquina administrativa, as comunidades mais carentes vão ganhar boas opções para reforçar a luta contra a ociosidade (analfabetismo, drogas, violência) e as instituições vão contribuir nas ações sociais.
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    quarta-feira, 16 de setembro de 2009

    O EQUILÍBRIO QUE EMBALA O CEARÁ

    O Ceará poderá até tropeçar e não chegar à primeira divisão, mas tem motivos de sobra para sonhar com a ascensão, quando faltam 14 rodadas para o encerramento da Segundona/2009. O símbolo da balança representa bem o atual equilíbrio existente entre torcida, diretoria e time alvinegro. Os números sólidos, obtidos em campo, tiram qualquer dúvida.

    O título perdido no campeonato estadual poderia ter determinado uma mudança radical no rumo do trabalho da diretoria. Ocorreram mudanças, é verdade, mas nada radical. Mudança de treinador, contratações e demissões de jogadores. A base do time foi mantida e os dirigentes se refizeram emocionalmente.

    A infraestrutura seguiu sendo melhorada. Campo de treinamento, academia e fisiologia. O torcedor foi mantido cada vez mais próximo através dos programas de fidelidade e campanhas de ajuda financeira. Sairam de cena o discurso e os duelos de vaidade. Entraram em cena os artistas do espetáculo.

    Com uma atmosfera positiva, todos respirando trabalho, comprometidos de verdade, os resultados começaram a aparecer em campo. Das 12 vitórias conquistadas nas 24 rodadas, somando 43 pontos, o Ceará venceu oito jogos no estádio Castelão, empatou três e perdeu apenas um - 2 a 0 para o Vasco da Gama.

    Faltam sete jogos em casa - um deles contra o Fortaleza. Se mantiver o mesmo aproveitamento, o time alvinegro garantirá uns 13 pontos aqui. Nos jogos fora de casa precisa ter um desempenho melhor, mas nada que preocupe demais. Importante é manter o equilíbrio de resultados na sequência dos jogos para se manter no G-4 ou não se distanciar dele.

    A fase crítica já passou. Já vieram as contusões e os cartões. Em nenhum momento houve queda de rendimento técnico da equipe. Os substitutos, já definidos, mantêm o ritmo. As chegadas dos atacantes Mota e Rômulo reforçaram a usina de gols - 37 a favor até aqui. Só falta a recuperação do goleiro Adilson.

    Querem mais motivos? O fim da rádio-fofoca em Porangabuçu; menor índice de erros nas contratações, diminuindo a circulação de empresários entre os jogadores; e fim das crises de plantão para ressuscitar os "salvadores da pátria". Tomara que a vaidade não volte a visitar a família alvinegra.

    REPLAY: UM GANHA E OUTRO PERDE

    A 24ª rodada da Segundona só apresentou novidade nos placares. A rotina continuou a mesma, pelo menos para os clubes cearenses. O Ceará fez o dever de casa, aproveitou as chances criadas no primeiro tempo e ganhou o Vila Nova (GO) por 2 a 0, com gols de Maracanã e Careca. O Fortaleza fez três gols (Rogerinho, Luiz Carlos e Nicácio), mas sofreu quatro e perdeu um jogo dramático para o Duque de Caxias, em Volta Redonda (RJ). Nada mudou.

    Tudo certo para o Ceará, que se mantém no G-4, com uma diferença de cinco pontos do quinto colocado (Portuguesa, com 38 pontos). Continuará intocável mesmo que perca a próxima partida, sábado, no Castelão, para o Paraná Clube. O jogo não foi bom no segundo tempo, mas e daí. Segurou o adversário e garantiu o placar.

    Sem muito esforço, os gols sairam naturalmente. Arlindo Maracanã voltou em grande estilo, cobrando uma falta ao estilo Zico e dando um passe para o gol de Careca. Foi o suficiente para fazer a festa da galera alvinegra (14.463 pagantes - R$ 122.323,50). A primeira divisão começa a ficar cada vez mais próxima.

    O JOGO TOMA-LÁ-DÁ-CÁ

    A vida de sofrimento do Fortaleza ainda não terminou nessa rodada. A dramática rotina de sofrer gols deixou o tricolor literalmente na lanterna. Quando tudo parecia calmo, uma falha. Nesse jogo, contra o Duque de Caxias, até o goleiro Douglas andou falhando. Cristian e Rogerinho tiveram rendimento abaixo da média. Élton foi o melhor dos novatos, mas foi desperdiçado durante boa parte do jogo como ala.

    Situação cada vez mais complicada, o Fortaleza segue do Rio de Janeiro para Caxias do Sul (RS), onde vai enfrentar o Juventude, sábado, com uma novidade: o zagueiro Domingos, 24 anos, ex-Santos, contratado ontem, se incorpora ao grupo. Não sei qual situação pior. O frio na espinha ou a baixa temperatura com temporal naquela região.

    Leia comentário completo, com notas para os jogadores, no site Artilheiro, coluna Análise do Jogo: http://www.artilheiro.com.br/

    terça-feira, 15 de setembro de 2009

    UM BRUCUTU COM STATUS DE XERIFE

    Eu já vi um time inteiro do Flamengo vestir a camisa do Fluminense de Feira (BA) e ser campeão invicto de 1969. Daquele time, o zagueiro Sapatão jogou por aqui. Vi o Bahia ser campeão várias vezes com quase todo o time emprestado pelo Santos. Muitos cearenses viram o Ceará ser campeão com um time trazido, às pressas, do Rio Branco de Americana (SP).
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    Longe de comparações, mas o Fortaleza até que tentou buscar a salvação na Vila Belmiro, uma espécie de castelo do rei do futebol. Trouxe o treinador Márcio Fernandes, sonhou com o zagueiro Paulo Henrique, com o lateral-esquerdo Carlinhos, com o volante Roberto Brum, enfim...
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    Quando ninguém esperava, veio o zagueiro Domingos (foto), de 24 anos - amado e odiado -, mas, acima de tudo, respeitado pelos adversários. Pelas mal traçadas linhas, a diretoria do Fortaleza pode ter chegado ao xerife que o time tricolor tanto precisa. Alguém que chega e logo assume o controle da situação. Até agora, a atitude não mudou na zaga tricolor.
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    Não importa o que andou fazendo por aí: luta livre com Diego Souza ou a dividida com o goleiro Rafael, como disse Luxemburgo, "sem noção e medida exata da dureza e da virilidade da jogada". O que importa, agora, saber é se o "brucutu" vai dar jeito na zaga tricolor ou será mais um "garçom" com pinta de zagueiro no Pici.
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    CONTINUA O FIO DA NAVALHA
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    A 24ª rodada apresenta Duque de Caxias x Fortaleza, no estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda (RJ), às 21h50min, com situações semelhantes. O Fortaleza, com 23 pontos, 19ª posição, está uma posição abaixo que o adversário. Ninguém pode perder. Jogo do desespero.
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    O Duque perdeu o zagueiro Zé Carlos (expulso) e o lateral-esquerdo Paulo Rodrigues (3º cartão). Pior que isso é continuar sem o artilheiro Edvaldo (12 gols), ainda machucado. Um time sem residência fixa, que luta sozinho contra o rebaixamento, recebe o incerto Fortaleza.
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    Sem tempo para treinar, cheio de incertezas, o treinador Márcio Fernandes vai mexer na defesa de novo. Edvaldo volta. No lugar de quem, eis a questão. O meia Élton deve estrear. Outra dúvida cruel. As mudanças acrescentaram pouco ao time até agora.
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    Duque de Caxias - Vinícius; Oziel, Gustavo, Santiago e Marquinho; Mancuso, Thiaguinho, Juninho e Geovane; Leandro Cruz e Tony. Técnico: Gilson Kleina.
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    Fortaleza - Douglas; Dedé, João Leonardo, Paulo Paraíba (Everaldo) e Eusébio; Coutinho, Ticão, Cristian (Élton) e Rogerinho (Élton); Marcelo Nicácio e Luiz Carlos. Técnico: Márcio Fernandes.

    sábado, 12 de setembro de 2009

    BRINCANDO DE GANGORRA

    Entramos na 23ª rodada da Segundona numa verdadeira gangorra. O Ceará lá em cima (4º colocado); o Fortaleza lá embaixo (19º colocado). A diferença entre a gangorra do imaginário e a real é que não há possibilidade de inversão de posicionamento ao final da rodada.
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    O alvinegro poderá continuar subindo, caso vença o Figueirense, e só não chegará à vice-liderança por ter uma vitória a menos que o Guarani. O tricolor continuará na zona de rebaixamento ainda que vença. Se perder vai parar na lanterna.
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    Figueirense x Ceará, no estádio Orlando Scarpelli, em Florianópolis (SC), deve ser um jogo difícil para o alvinegro. O também alvinegro Figueirense quer uma vitória para se igualar ao São Caetano (36 pontos) e fazer parte do grupo que pressiona para entrar no G-4.
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    Fortaleza x ABC de Natal, no estádio Castelão, em Fortaleza, é o chamado jogo dos desesperados, amedrontados pelo fantasma do rebaixamento. Ao Fortaleza só resta a alternativa da vitória. O time recebeu mais um reforço e uma mudança: estreia do zagueiro Paulo Paraíba e retorno de Eusébio à lateral-esquerda.
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    Acompanhe o jogo, em tempo real, pelo Artilheiro: http://www.artilheiro.com.br/

    sexta-feira, 11 de setembro de 2009

    O QUE HÁ DE ERRADO COM ELES?

    O que há em comum entre Vagner Paulo da Silva, 27 anos; Mokgadi Caster Semenya, 18 anos; e Edvaldo dos Santos, 59 anos? Enquanto cidadãos, simplesmente dois atletas e um ex-atleta. Provavelmente, poucos serão capazes de identifica-los. Mas, se a pergunta for dirigida aos atletas Vavá e Semenya e ao ex-atleta Baiaco encontraremos muitos pontos em comum, entre os três, por conta: ora, da irracionalidade; ora, do jogo de interesses que invadem o esporte.
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    BREVE HISTÓRICO
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    O atacante Vavá (foto 1) surgiu nos gramados cearenses como promessa de craque. Jogou no Uniclinic, no Horizonte, no Mogi-Mirim (SP) e no Ceará Sporting, onde ganhou notoriedade pelos gols refinados. Em 2007, formou uma dupla de ouro com Luiz Carlos colocando o alvinegro na artilharia nacional. Ao final da temporada, valorizado, o jogador virou peteca num jogo de vaidades entre empresários e o procurador Flávio Pinto.
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    O volante Baiaco (foto 3) foi descoberto em São Francisco do Conde, no interior da Bahia, por um torcerdor do Esporte Clube Bahia, ainda moleque, no final da década de 1970. Chegou a exigir que o irmão dele, Caetano, também fosse para Salvador. Foi atendido, mas Caetano não ficou. Baiaco ficou por quase 20 anos. Baiaco só fez seis gols ao longo da carreira. Marcava tanto que ajudou a impedir que o rei Pelé marcasse o milésimo gol na Fonte Nova.
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    A corredora sul-africana, Caster Semenya (foto 2), idolatrada em seu país, ganhou fama mundial com a conquista da medalha de ouro, na disputa dos 800 metros rasos, no Campeonato Mundial de Atletismo/2009, realizado em Berlim.
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    O FIM
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    Baiaco nós sabemos. Hoje, leva uma vida pacata. Voltou a morar em São Francisco do Conde (BA), vai sempre a Salvador participar dos encontros dos boleiros do passado, mas certamente se arrepende de atitudes que deixou de tomar no auge da carreira. Por capricho de dirigentes, não foi jogar em grandes times como Flamengo e até Santos. Quando parou de jogar entrou num processo depressivo e chegou a frequentar a sarjeta dos bêbados. Quase afundou.
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    Vavá e Semenya ainda não sabemos como será. Apesar disso, os exemplos mostram o caminho mais provável caso nada seja feito pela "justiça" da vida. Tal qual Baiaco, o atacante Vavá está sendo vítima da ganância irracional de empresários. Desde que terminou a temporada de 2008, o jogador espera pelas ilusórias propostas do exterior. Sem clube, vive dias amargos.
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    O caso Semenya é inédito, caso comprovado. Segundo o jornal australiano The Daily Telegraph, o teste de feminilidade a que foi submetida indica ausência de útero e ovário e a presença de testículos internos, o que faria dela uma hermafrodita. Até aí tudo normal, embora surpreendente.
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    O que não dá para prever é o estrago que a campanha discriminatória pode causar na vida da atleta. O governo sul-africano acusa de racismo a Associação Internacional de Federações de Atletismo por não aguardar a conclusão de outros laudos médicos, criando sensacionalismo em torno da possibilidade de devolução da medalha conquistada.
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    Que os irracionais e gananciosos do mundo esportivo não impessam que Vavá e Semenya tenham um final de carreira menos sofrido que Baiaco.

    quinta-feira, 10 de setembro de 2009

    REINO DO LEÃO ESTÁ CONFUSO

    No Fortaleza, o medo do rebaixamento para a terceira divisão começa a ter efeitos parecidos com a devastação de um tufão. Nos últimos dias, os dirigentes trabalharam em busca de reforços com a pressa de uma "força-tarefa". Com a chegada de novos jogadores, a sensação de perda de espaço aumentou no grupo. Para piorar a intranquilidade, ninguém se entende: técnico, preparador físico, jogadores, dirigentes e torcida parecem falar línguas diferentes.
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    Logo que chegou, o treinador Márcio Fernandes passou a se preocupar com a defesa - tida como o setor responsável pela campanha desastrosa -, mudando dois zagueiros e treinando, de forma exaustiva, posicionamento tático. Somente o zagueiro Édson permaneceu no time. Veio o jogo contra o Brasiliense e a derrota, por 1 x 0, com um gol pontuado por falhas.
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    O goleiro Douglas confessou que houve indecisão entre ele e o lateral Everaldo. "Eu deveria ter gritado pra ele sair da bola", confessou Douglas. A bem da verdade, eles não treinaram juntos durante uma semana, o que justifica a dificuldade de comunicação. Para o jogo de sábado, contra o ABC de Natal, o zagueiro Paulo Paraíba é outra novidade. Estão falando o mesmo dialeto?
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    O diretor de futebol, Renan Vieira, viu "falta de comprometimento" e dispensou os serviços dos zagueiros Jailson e Sílvio. Também não seria "falta de comprometimento" do atacante Luiz Carlos, que continua acima do peso ideal (8 quilos?) e fora da forma física (só tem 70% do fôlego?), embora seja o titular da posição?
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    O preparador físico, Vladimir de Jesus, confirmou os dados. Disse que Coutinho e Euzébio são os melhores pulmões da equipe. O restante (calcula) está com 70% da condição física em relação ao ideal para suportar uma partida de futebol. Mesmo assim, não admitiu que o time não tem tido fôlego no segundo tempo dos jogos. Que contradição.
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    Para aumentar a confusão, torcedores e até dirigentes começam a criticar a metodologia de treinamento adotada pelo técnico, Márcio Fernandes, que preferiu os treinos táticos aos coletivos. Até o preparador físico criticou a postura tática do time no segundo tempo do jogo contra o Brasiliense, dia 5 passado, na Boca do Jacaré (DF). Ninguém se entende mesmo.
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    Nessas horas é preciso que somente um comandante dê as ordens. O odioma deve ser um só e a linguagem a mais simples possível. Quem não estiver envolvido na proposta de "salvar o barco" deve ser mesmo afastado. Aliás, gente demais sem nada fazer atrapalha. E não é hora de ficar ouvindo conselhos de "sábios" de ocasião. É hora do autêntico Leão concentrar forças.

    CALMA! FOI UMA NOITE DE TESTES EM PITUAÇU

    Uma noite de testes, alegria, oportunidades e desabafos.

    A vitória do Brasil sobre o Chile, por 4 a 2, no estádio de Pituaçu, em Salvador (BA), serviu para testar a funcionalidade daquela praça esportiva em grandes jogos, recebendo um público de 30.677 pagantes (cerca de 1.300 convidados), gerando uma renda de R$ 4.350.425,00. Mais que isso, serviu para que Nilmar (foto 2) pudesse provar que pode ser titular, sim. Daniel Alves (foto 1) quebrou um galhão pelo meio-campo e Dunga "atropelou" seus desafetos.

    Quando o nome de Daniel Alves foi anunciado como titular no meio-campo, algumas críticas foram lançadas com a explicação do tipo: "O técnico Dunga está fazendo média com a torcida baiana e não está sendo justo com Elano". Bobagem. Daniel foi o destaque do primeiro tempo. Nilmar brilhou nos dois tempos do jogo, fez três gols e quebrou a monotonia quando o jogo estava empatado em 2 a 2.

    O meia Elano entrou no segundo tempo e turbinou a seleção. A reação levou o Brasil a fazer mais dois gols e salvar o jogo. Se quiserem dizer que Dunga presenteou alguém que falem do atacante Adriano, um jogador eternamente fora de forma e que pouco produziu no jogo. Levando-se em consideração que a seleção jogou classificada e com alguns desfalques, o Dunga não teria oportunidade melhor para fazer testes.

    Senti o Dunga um pouco aliviado, mas ainda magoado. Afinal, faz tempo que a seleção brasileira não se classifica com tanta antecedência (três jogos) para uma Copa do Mundo. Desde que chegou ao comando da seleção, o iniciante-confesso treinador tem sido bombardeado pela crônica esportiva e demais setores "entendidos" da sociedade brasileira.

    Dunga não foi somente criticado. Em alguns casos, condenado por uma presumível desastrosa campanha nas eliminatórias. Com toda inexperiência, a seleção do Dunga ganhou a Copa América, a Copa das Confederações e se classificou bem para a Copa da África do Sul de 2010. Portanto, o mau humor do treinador é perfeitamente condenável, mas a sua inexperiência não pode ser motivo para condenação.

    O futebol é mesmo assim. Basta darmos uma olhada para a situação da Argentina, que tem no comando o presunçoso Diego Maradona. Apesar da fraca campanha (quinta colocada), longe das tradições do futebol argentino, ele avisa que não vai entregar o cargo de treinador e recebe o voto de confiança de boa parte da torcida e da imprensa local. Assim, curvem-se ao Dunga!

    quarta-feira, 9 de setembro de 2009

    Reportagem sobre o Bahia bicampeão brasileiro

    BAHIA CAMPEÃO BRASILEIRO: EU ESTAVA LÁ (HISTÓRIA Nº 2)

    Preparador físico, José Carlos Queiroz, João Marcelo, Ronaldo, Paulo Rodrigues, Tarantini, Paulo Robson, Claudir - em pé. Marquinhos, Bobô, Charles, Zé Carlos e Gil Sergipano - agachados. Quem será o solitário garoto-mascote?

    O técnico era Evaristo de Macedo, que não aparece na foto. Esses foram os responsáveis diretos pela mais importante conquista do Esporte Clube Bahia nos últimos 21 anos: título de campeão brasileiro de 1988. Naquela tarde ensolarada de domingo, 19 de fevereiro de 1989, no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre (RS), Internacional e Bahia jogaram muito, mas não mexeram no placar para desespero dos colorados e felicidade dos tricolores.

    O Bahia já havia vencido o primeiro jogo, no estádio da Fonte Nova, por 2 a 1, garantindo a vantagem do empate no segundo jogo. O time do Inter era melhor e tinha uma campanha invejável, o que deixava a torcida baiana intranquila. O Inter acabara de atropelar o Grêmio no clássico que ficou chamado "Gre-Nal do século". O Bahia acabara de despachar o Fluminense nas semifinais - nada menos, mas sem o mesmo valor simbólico-emocional.

    O Inter não esperou pelo tempo nem pelo Bahia. Começou pressionando. O Bahia respondia. O jogo ficou dramático. O goleiro Ronaldo, do Bahia, fazia defesas espetaculares; a trave salvava o Inter do goleiro Taffarel - aparentemente nervoso. O feitiço colocado no vestiário nº 5 (confira no vídeo acima), onde ficou a delegação do Bahia, virou-se contra o feiticeiro. A bola não entrou em nenhuma das duas balizas, contrariando os interesses gaúchos.

    Quando o jogo terminou, o gramado do estádio Beira-Rio ficou uma loucura, totalmente tomado por torcedores, dirigentes, repórteres e policiais. Alguns jogadores do Bahia correram para o vestiário. Ficou difícil trabalhar. Para mim, por exemplo, as dificuldades eram maiores ainda. A voz estava um fiapo. O calor daquela tarde não me fez bem. A garganta doia e aumentava a sensação de febre. Na verdade, sentia aqueles sintomas desde a noite anterior, quando desembarcamos em Porto Alegre. Coisas de mudança de temperatura.

    Missão cumprida no estádio, seguimos para o hotel, o mesmo em que estava o Bahia. A viagem só ocorreria no dia seguinte. O presidente Paulo Maracajá e seus diretores decidiram que a comemoração começaria alí mesmo, numa das melhores churrascarias da cidade. Para alguns, terminou numa das melhores boates...É melhor não contar tudo, até porque não vi. Meu estado febril foi um convite a ficar deitado, desencorajado, apesar dos apelos dos colegas.

    Portanto, não estive na comemoração, em Porto Alegre, mas vivenciei as emoções da dramática decisão entre Inter 0 x 0 Bahia, no estádio Beira-Rio. Eu estava lá.

    Ficha Técnica:

    1º jogo - Bahia 2 x 1 Internacional

    15 fevereiro de 1989

    Estádio da Fonte Nova - Salvador (BA)

    Bahia - Ronaldo, Taratini, João Marcelo, Claudir e Edinho; Paulo Rodrigues, Zé Carlos e Bobô; Osmar, Charles (Sandro) e Marquinhos. Técnico: Evaristo de Macedo

    Internacional - Taffarel, Luís Carlos Wink (Diego Aguirre), Aguirregaray, Nenê e João Luís; Norberto, Luís Carlos Martins, Leomir e Maurício (Hélder); Nílson e Edu. Técnico: Abel Braga.

    Gol - Bobô (2) e Leomir.

    2º jogo - Internacional 0 x 0 Bahia

    19 fevereiro de 1989

    Estádio Gigante do Beira-Rio - Porto Alegre (RS)

    Renda - Cr$ 57.304.000,00

    Público - 79.598 pagantes

    Internacional - Taffarel, Luiz Carlos Winck, Aguirregaray, Norton e Casemiro; Norberto, Luís Fernando, Luís Carlos Martins, Maurício (Hélder); Nílson e Edu. Técnico: Abel Braga.

    Bahia - Ronaldo, Tarantini, João Marcelo, Claudir (Newmar) e Paulo Róbson; Paulo Rodrigues, Gil Sergipano, Zé Carlos e Bobô (Osmar); Charles e Marquinhos. Técnico: Evaristo de Macedo

    Árbitro - Dulcídio Wanderley Boschilla.

    segunda-feira, 7 de setembro de 2009

    O DIA EM QUE O FUTEBOL CONHECE SEU REI

    "Dia 7 de setembro de 1956 é uma data histórica na vida do Santos Futebol Clube e do futebol brasileiro. Naquela tarde, o rei do futebol, então um garoto prestes a completar 16 anos, dava o seu primeiro show como profissional, vestindo a camisa do clube que ele ajudaria a consagrar no mundo todo.
    -
    O jogo era um amistoso diante do Corinthians - não aquele do qual ele se tornaria um carrasco um dia, mas o de Santo André (SP). Aos 36 minutos do primeiro tempo, uma jogada armada por Raimundinho e Tite, Pelé recebeu a bola dentro da área e, embora estivesse cercado por zagueiros, chutou a gol, mandando a bola por baixo do corpo de Zaluar, que até a morte, em 1995, orgulhava-se de ter sido o goleiro a sofrer o primeiro gol daquele que em pouco tempo tornar-se-ia o maior jogador de futebol do mundo - o Atleta do Século.
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    Era o sexto gol do Santos naquela partida, vencida por 7 a 1, e o primeiro de Pelé com a camisa que ele imortalizaria. Começava ali um casamento que duraria até o dia 2 de outubro de 1977, quando o rei do futebol se despediu das duas únicas equipes pelas quais jogou profissionalmente: Santos Futebol Clube e Cosmos de Nova York.
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    Ao longo desses 21 anos, o Rei marcou 1281 gols, disputou 1375 jogos - incluindo os que disputou pela seleção brasileira -, conquistou diversos títulos regionais, nacionais e internacionais; foi homenageado por presidentes, reis, artistas e altas autoridades do mundo inteiro; venerado e respeitado por torcedores de todo e qualquer clube, até mesmo pelos principais rivais.
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    Pelé foi, também, caçado por zagueiros, festejado pelos amantes do futebol-arte, imortalizou algumas das mais belas imagens deste que é o esporte mais popular do mundo, viveu e proporcionou grandes emoções".
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    Texto de Nei Souza, que exprime um sentimento mundial quando o nome é Pelé. Hoje, no dia da Independência Nacional, podemos festejar, também, um marco no futebol. Esse esporte não foi mais o mesmo a partir da presença de Pelé. A comemoração do gol ganhou marca oficial (foto), as tardes de domingo ganharam um show à parte, o futebol ganhou dribles-de-arte, enfim... Viva 7 de setembro.

    sábado, 5 de setembro de 2009

    VOVÔ QUEBRA ESQUADRÃO; TRICOLOR SEM FÔLEGO

    O Ceará confirmou, nessa 22ª rodada da Segundona, que não está no G-4 por acaso. Venceu o Bahia com o placar de 2 x 1, no estádio Castelão, aproveitando bem as oportunidades criadas no primeiro tempo. Quando o Bahia melhorou, apesar das trapalhadas do goleiro Lopes, o time soube suportar a pressão. Já o Fortaleza fez um bom primeiro tempo, criando, atacando, marcando bem, mas no segundo tempo...ah! Todo mundo já sabe. Hoje, foi horrível e a derrota inevitável, por 1 x 0, para o Brasiliense, na Boca do Jacaré (DF).

    Ceará 2 x 1 Bahia

    O jogo começou muito cadenciado. Por volta dos 15 minutos já descanbava para a monotonia até que o Ceará deu uma acelerada. O Bahia respondeu, mas os atacantes alvinegros foram mais eficientes. Wellington Amorim e Mota mostraram bom entrosamento. Primeiro, Amorim foi lançado por Mota e derrubado dentro da área. Com paradinha, Geraldo fez 1 x 0, de pênalti, aos 33'. Aos 39', Amorim devolveu a gentileza e Mota (foto) fez 2 x 0.

    Mas a cena mais bonita foi protagonizada por Geraldo, Mota e o goleiro Fernando, aos 43'. Geraldo cruzou da esquerda e Mota bateu na bola, quase caído no gramado, para uma defesa de Fernando que pagou ingresso.

    No segundo tempo, só deu Bahia, que ainda contou com algumas trapalhadas do goleiro Lopes nos dois tempos. Nadson diminuiu, com gol de cabeça, no primeiro minuto do jogo, depois de uma indecisão de Lopes. Foram 25 minutos iniciais de pressão e o empate não saiu. O Ceará só apareceu na área do Bahia nos cinco minutos finais. Apesar do sufoco, garantiu o placar de 2 x 1 e segue no G-4. Próximo sábado, fora de casa, enfrenta o Figueirense.

    Brasiliense 1 x 0 Fortaleza

    Pelo primeiro tempo, a impressão era de que o Fortaleza deixaria o estádio da Boca do Jacaré com a reabilitação assegurada e a confiança dos torcedores recuperada. Nada disso. A melhora ficou apenas no primeiro tempo. Só faltou o gol. Dedé, Rogerinho, Cristian, Luiz Carlos e até Nicácio não podem se queixar de falta de chances. O time candango não teve a bola nos seus pés.

    Quando os times voltaram do intervalo, foi o time tricolor quem brigou com a bola. Os candangos atacaram do início ao fim. Os jogadores do Fortaleza pararam em campo, perderam o combate pelo meio, ficaram acuados. O gol era inevitável e aconteceu, aos 25', através de Iranildo que tirou proveito de uma indecisão entre o goleiro Douglas e o zagueiro Everaldo.

    O treinador Márcio Fernandes reconheceu o fiasco da segunda etapa. A comissão técnica precisa explicar, no entanto, por que o time não consegue reagir? Por que alguns jogadores param a partir dos 30 minutos do primeiro tempo? Por que Cristian não tem mais a mesma velocidade que tinha quando aqui chegou? Enfim, os reforços até convenceram. O fôlego continua escasso.

    Confira a 22.ª rodada da Segundona:

    Terça-feira - 1º de setembro

    Portuguesa-SP 3 x 1 Figueirense-SC

    Duque de Caxias-RJ 0 x 1 Bragantino-SP

    Sexta-feira - 4 de setembro

    Guarani-SP 3 x 0 Campinense-PB

    Paraná-PR 2 x 1 América-RN

    Ipatinga-MG 0 x 0 Ponte Preta-SP

    Sábado - 5 de setembro

    ABC-RN 2 x 1 Juventude-RS

    São Caetano-SP 3 x 1 Vila Nova-GO

    Atlético-GO 2 x 2 Vasco-RJ

    Ceará-CE 2 x 1 Bahia-BA

    Brasiliense-DF 1 x 0 Fortaleza-CE

    Confira a classificação da Série B!

    Confira a rodada da Primeira Divisão:

    http://www.futebolinterior.com.br/news.php?id_news=96880

    quinta-feira, 3 de setembro de 2009

    MUDANÇAS E PRESSÃO NO PICI

    O Fortaleza não está sofrendo somente a pressão interna para sair da zona de rebaixamento. As pressões externas também estão acelerando os nervos dos tricolores do Pici. Por exemplo, os dirigentes olham os vizinhos da "lanterna" pelo retrovisor ao tempo em que vêm o rival alvinegro se distanciando cada vez mais. Aliás, a distância entre os lanternas e o tricolor é cada vez menor.
    -
    Há algumas rodadas, o Juventude estava afundado, abaixo do Fortaleza. Ultrapassou o tricolor e saiu da zona de rebaixamento. O Campinense era lanterna isolado. Todos o apontavam como rebaixado. Melhorou, colocou o ABC de Natal na lanterna e está a dois pontos do tricolor, mas já empata no número de vitórias (6). O assustado Fortaleza estacionou na 18ª posição, com 22 pontos.
    -
    Para aumenta a angústia, o rival alvinegro estacionou no G-4 com direito a permanecer por lá ainda que perca o jogo contra o Bahia, nesse sábado, às 16h10min, no Castelão. A frieza dos números aumenta a angústia. O Ceará fez (32) um gol a menos que o Fortaleza (33), mas a defesa tricolor fez o estrago ao sofrer (36) 17 gols a mais que a defesa alvinegra (19).
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    Nada parecido com o Teorema de Pitágoras. Tão simples que o treinador Márcio Fernandes, depois de dois jogos, mexeu radicalmente na defesa. Chegou a improvisar o zagueiro Everaldo Batista na lateral-esquerda, manteve Dedé na lateral-direita e colocou o zagueiro João Leonardo no miolo. Não sei porque Édson continua titular. Por justiça, somente o goleiro Douglas deve escapar.
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    Diferente do rival alvinegro, o Fortaleza contratou, às pressas, um novo time para o returno. Apenas um meia (Élton) e um atacante (Marcelo de Faria). Hoje, anunciou o volante Renan (foto), 23 anos, ex-Sport (PE), com direitos federativos pertencentes ao Atlético (MG). No Sport, somou apenas duas discretas participações na Série A.
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    A reabilitação tem data e local definidos: sábado, dia 5, na Boca do Jacaré, contra o Brasiliense, 12º colocado. A partir daí começa a contagem regressiva de sete rodadas. Na 28ª rodada, quando acontecerá o clássico-rei, o Fortaleza espera estar fora da zona dos lanternas e mais fortalecido emocionalmente. Portanto, chegou a hora de acelerar no Pici, mesmo que a máxima velocidade não permita encostar no rival alvinegro.

    quarta-feira, 2 de setembro de 2009

    O DOPING DE MARADONA: EU ESTAVA LÁ (HISTÓRIA Nº I)

    A cobertura da Copa do Mundo de 1994, na cidade de Dallas, no Texas, Estados Unidos da América, me recompensou pelos outros mundiais que não tive oportunidade de cobrir. Foi uma competição rica em fatos, recordes, inovações tecnológicas e até mudanças no regulamento. Mas os principais destaques não foram dignos de uma Copa do Mundo: o escândalo do doping de Maradona e o assassinato do zagueiro Escobar, da Colômbia, como castigo por ter feito um gol contra, entre outros episódios desagradáveis. Não tivemos sossego na cobertura dos fatos.
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    Ao lado do narrador Jair Cezarinho, meu comandante, dormia pouco para driblar o fuso horário, comia muito frango com fritas e pizza com Coca-Cola, sucrilhos com leite e saduiches. Engordei alguns quilos. Chegávamos cedo (7h local = 10h no Brasil) porque tinhamos programa ao meio-dia. Saíamos tarde (nunca antes das 21h local) porque tinhamos programa noturno ao vivo e deixávamos boletins gravados para a programação da madrugada e manhã seguintes.
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    Além dessa rotina estafante ainda tinhamos as narrações dos jogos da Seleção Brasileira para a Rádio Carioca de Feira de Santana (BA). E se não fosse essa rotina, dificilmente estaríamos lá, no Centro de Imprensa, quando o então secretário-geral da Fifa, Joseph Blatter, convocou os repórteres para uma entrevista coletiva, cujo assunto não se fazia a menor idéia.
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    Final de tarde, com o sol no horizonte (em junho só escurece depois das 22h local), corredores quase desertos por causa de um tentador convite do Comitê da Fifa para um show do cantor Julio Iglesias. Jair Cezarinho ainda recebeu nossos convites, mas estávamos suados, cansados e famintos (o calor beirava os 40° naqueles dias). Vários colegas já haviam ido embora. Decidimos voltar para casa, de ônibus. Seria uma boa folga na piscina do condomínio em que ficamos hospedados.
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    Para nossa surpresa, havia um corre-corre próximo a um dos anexos do CI. Fiz perguntas, ninguém sabia nada. Chamei o Jair e entramos no salão. Blatter já estava falando. Liguei o gravador e veio a bomba: "Diego Armando Maradona, jogador da Argentina, jogou dopado, no dia 25 de junho, na vitória de 2 x 1 sobre a Nigéria. O exame antidoping constatou a presença de efedrina natural e mais quatro derivados sintéticos".
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    Não acreditei. Ninguém acreditava naquela notícia. Prosseguia o comunicado: "Essas substâncias agem sobre o sistema nervoso central e circulatório, com o efeito de melhorar os reflexos, aumentar a oxigenação do sangue e diminuir a sensação de fadiga". Segundo o laudo da Fifa, Maradona tomou os estimulantes numa dosagem entre cinco e dez vezes mais alta do que a dosagem da substância quando usada como descongestionante. Informou ainda que as drogas foram ingeridas no dia do jogo.
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    Maradona estava suspenso, preventivamente, e a World Cup seguia. Foi uma correria de volta aos estúdios do CI. Muitos colegas tomaram o furo (jargão jornalístico). Deu até punição para aqueles, cujos chefes não permitiram a troca (involuntária) da bombástica notícia pelo show de Iglesias. Eu e Jair perdemos o show e ganhamos muito trabalho. Folga suspensa.
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    Até hoje Maradona jura inocência. Na época, chegou a dizer: "Juro pelas minhas filhas que não me dopei para jogar". Não adiantou. Ficou suspenso até setembro de 1995 e recebeu uma multa de US$ 15.400. Foi o terceiro caso de doping em mundiais. Em abril de 95, o jornalista argentino, Fernando Niembro, lançou o livro "Inocente", com a teoria "hóstia do padre", segundo a qual os argentinos comungaram numa igreja, em Boston, onde teria havido uma conspiração da CIA contra Maradona, que se envolvera com drogas e defendia o cubano Fidel Castro.
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    Também foi duro entrevistar um cronista da Rádio Caracol de Colômbia na manhã seguinte ao assassinato do zagueiro Escobar. A Colômbia era apontada como favorita, mas foi eliminada pelos anfitriões EUA, por 2 x 1, com um gol contra de Escobar. Ao voltar para casa, foi assassinado a tiros. Até o cronista temia pela sua volta. Eu estava lá.

    terça-feira, 1 de setembro de 2009

    FORTALEZA RESOLVEU MONTAR OUTRO TIME

    E quando pensávamos estar livres do desespero, pela metade das competições, temendo o fantasma do rebaixamento, eis que a velha história dos pacotes imediatos volta a ser contata pela crônica esportiva cearense. Fortaleza e Ceará, juntos, acabam de montar um time inteiro. Sem motivos para desespero, o alvinegro entra somente com três contratações. O tricolor, assustado com uma nova ameaça do fantasma, entra com sete reforços.

    Depois do volante Ticão, do lateral-direito Dedé, do zagueiro Paulo Paraíba, do meia Élton, do atacante Marcelo de Faria, o Fortaleza anunciou, nessa terça-feira, mais dois zagueiros: Everaldo Batista (foto 1), 35 anos, e João Leonardo (foto 3), 24 anos. Ainda existe a possibilidade da contratação do lateral-esquerdo, Carlinhos, e do volante, Roberto Brum, ambos do Santos.

    O zagueiro João Leonardo chegou a ser anunciado pelo América de Natal (RN) http://tribunadonorte.com.br/noticia/america-confirma-contratacao-de-zagueiro/124062 antes de acertar com o Fortaleza. Já o experiente zagueiro, Everaldo Batista, surgiu como surpresa de última hora. Tem um rico curriculo, já chegou até a pendurar as chuteiras e tem fama de goleador: http://www.everaldobatista.com/?pag=trajetoria .

    O Ceará limitou-se a reforçar a defesa e o meio-campo. Primeiro, contratou o meia Rone Dias, 24 anos, elogiado pelo bom campeonato goiano/2009, como já destacamos semana passada. http://www.imagemgoias.com/novo/index.php?id=8505&acao=lermateria .

    Por último, trouxe uma dupla de zagueiros: Élson (foto central e), de 23 anos, jogou no Americano de Campos (RJ), e foi indicado pelo técnico PC Gusmão. Wescley (foto central d), de 25 anos, revelado pelo Vasco da Gama, teve seu melhor momento no Corinthians, na época de Tévez e Cia.

    Em 2007, Wescley caiu com o Juventude (RS) para a Série B do Brasileiro. Foi um ano tão ruim para ele que durante um assalto, em Caxias do Sul (RS), o filho dele (Miguel, sete meses de idade) foi atingido por uma bala. Felizmente não morreu. Para alguns, uma contratação polêmica: http://blogdebase.wordpress.com/2008/08/05/apos-temporada-complicada-wescley-tenta-volta-por-cima-no-criciuma/ .

    Não deveria ser assim, principalmente com o Fortaleza. De repente, contratou quase um time inteiro para melhorar a qualidade da equipe. Os mesmos conselheiros que se unem no desespero bem que poderiam estar unidos para um melhor planejamento no início da temporada. Que agora, mesmo no desespero, acertem todas as tentativas.

    DEUSES DA BOLA NÃO SALVAM OS REBELDES

    Se eu tivesse esse direito, faria um pedido aos deuses da bola: "Salvem os ídolos, título utilizado para diferenciar os craques e goleadores, também sujeitos às mazelas da vida como nós outros pobres mortais". Não faria esse pedido por achar que os ídolos são imortais. A obra deles, sim, e não deveria ser manchada. O que direi aos meus netos para justificar a trajetória vitoriosa de alguns ídolos, dentro de campo, se fora dele, suas vidas nos envergonham?

    Posso falar muito sobre o Super Mário (foto 1), assim chamado pelos portugueses, por ter marcado 186 gols em 186 jogos, arrebatando o título de maior artilheiro português. Precisarei de algum tempo para contar como ele conquistou milhares de torcedores do Porto e do Sporting, depois de deixar o Ferroviário Atlético Clube (CE) para ser revelado pelo Vasco da Gama (RJ) e estourado como artilheiro no Grêmio porto-alegrense (RS).

    Mas o que direi sobre o Sr. Mário Jardel Almeida Ribeiro? Não gostaria de falar sobre seus tropeços, incompatíveis com seus cinco Troféus Bola de Prata e suas duas Chuteiras Bola de Ouro. Não gostaria de expor matéria recentemente escrita por Rodrigo Cardoso, em ISTO É, com o título "A cocaína destruiu o meu lar".

    Do outro lado, posso falar muito sobre o Baixinho Romário (foto 2), que assim como Jardel nasceu no Vasco e fez história na Europa. Foi artilheiro e campeão, também na Seleção Brasileira, causando calafrios aos zagueiros. Resistiu ao tempo, às dores musculares para provar que marcaria mais de mil gols. Não satisfeito, lançou novo desafio: vai jogar no América (RJ) para atender a um pedido do seu saudoso pai, Edevair de Souza Faria.

    E o Sr. Romário de Souza Faria, o que direi sobre ele? Fora de campo não é o mesmo gênio. Anda se embaraçando com as armadilhas deixadas pelo caminho, enquanto driblava os zagueiros e achava que poderia driblar as verdades da vida, enbevecido pelo sucesso. Não gostaria de mostrar outras fotos que não fossem com a bola na rede.

    Infelizmente, não tenho como fazer esse pedido aos deuses da bola. Eles nem me ouviriam. Mas eles não deveriam dar aos ídolos o direito de errarem tanto, de não terem a consciência do que são, de apagarem um passado de glória para escreverem um presente de absurdos conflitos. Talvez, os ídolos assim sejam abandonados pelos deuses, como filhos desobedientes, rebeldes, travessos. Que pena!

    Desde o início da temporada sonhamos com a volta de Jardel, aos 35 anos. Não deu no Ferroviário. Quase deu no Rio Branco (AC) e em Montevidéu, no Uruguai. Será que vai dar no América (CE), pela terceira divisão cearense? A estreia está marcada para essa quarta-feira, às 20h, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. E Romário, aos 43 anos, quando vai estrear no América (RJ), pela segunda divisão carioca?

    Em pelo menos uma coisa eles coincidem nesse melancólico fim de carreira: vão jogar no América. Será que os deuses ficaram chateados por eles terem trocado as Américas, no auge das suas carreiras, pelas terras europeias? Não se sabe. Seja lá o que for, que eles consigam pendurar as chuteiras com a dignidade dos ídolos e a proteção dos deuses da bola. Chega de trapalhadas.