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    quinta-feira, 21 de julho de 2011

    Enfim, Vavá agora é do Fortaleza!

    Que esse ok seja pra valer

    Em pouco mais de quatro anos de carreira (surgiu tarde no amadorismo), o atacante Vavá já fez e desfez esse gesto em algumas oportunidades, inclusive, para o próprio Fortaleza, que acaba de anunciá-lo como contratado (só falta assinar) para as disputas da Série C do Brasileirão. Por causa dessa instabilidade, o goleador já enfrentou dificuldades no Ceará e não veste a camisa do tricolor do Pici há mais tempo.

    As conflitantes transferências de Vavá, desde que saiu de Crateús/CE, em 2007, até agora, no Ceará Sporting, dão a impressão que trata-se de um jogador veterano. Nada disso. Exatamente na segunda-feira, dia 18, o cidadão Vágner Paulo da Silva completou 29 anos. Um dia depois, o atacante Vavá ganhou do alvinegro como presente a rescisão do contrato que só terminaria no fim do ano.

    Foi a primeira vez na carreira que Vavá encerrou uma história sem novela. Antes, "estrelou" uma novela longa para se transferir do Uniclinic, clube que o trouxe de Crateús, tendo sido emprestado ao Ceará, voltado à Lagoa Redonda, e emprestado mais tarde ao Mogi Mirim/SP para, finalmente, retornar ao Ceará e conseguir dar um fim ao 'melodrama'.

    Nesse meio tempo, enquanto Uniclinic, Ceará e o empresário Fábio Vieira disputavam os direitos federativos e econômicos dele, amargou contusões e isolamentos por falta de atividade. Se no Uniclinic era goleador, no Ceará ele não deslanchou e sofreu com as contusões. O apelido "Vavazim de Açúcar" passou a ter duplo sentido: carinho e crítica ao mesmo tempo.

    No auge das polêmicas, o Fortaleza fez pelo menos duas incursões para levar o artilheiro, mas o Ceará barrou as investidas. O próprio Vavá, em uma dessas oportunidades, teria dado marcha a ré nas negociações, deixando os tricolores irritados. E já fez o mesmo com Icasa e Ferroviário. 

    Somente em 2010, livre de polêmicas e emprestado pelo alvinegro ao América de Natal/RN, Vavá pôde provar que sabe fazer gols. Voltou e foi emprestado ao Treze de Campina Grande/PB, onde foi bicampeão 2010/2011 e confirmou sua condição de artilheiro. Em 2010, foi artilheiro com dez gols e fez os dois gols do título. Virou ídolo da torcida do Galo da Borborema.

    Agora, quando esperava-se que o Ceará o emprestasse de novo ao Treze ou o aproveitasse, eis que veio a liberação, presente tão esperado por Vavá. Ao Fortaleza cabe realizar um velho sonho, desde a época em que Ribamar Bezerra era presidente tricolor, e foi ele mesmo quem cuidou de fechar a ida do artilheiro para o Pici.

    Assim, fica provado que não existe "grupo fechado", como andaram dizendo o presidente Osmar Baquit e o técnico Ferdinando Teixeira. Pode até existir "corpo fechado", na terra do saravá, mas no grupo sempre cabe  mais um quando os resultados não estão sendo satisfatórios.

    Por falar nisso, ainda podem desembarcar, no Pici, o meia carioca Tony, ex-Ceará, e o volante/zagueiro Erandir, revelado pelo próprio Fortaleza no início da década passada. "Fechem o corpo" e "abram o grupo" se não quiserem permanecer no purgatório da Segunda Divisão Brasileira.         

    quarta-feira, 26 de agosto de 2009

    UNICLINIC: UMA ÁGUIA DE VOO INCERTO

    Quem acompanha o futebol pelo Brasil já ouviu falar, algum dia, do Uniclinic Atlético Clube - a Águia da Precabura. Quando pronunciado como "time do Uniclinic" chega a fazer confusão com o Hospital Uniclinic. Não é mera coincidência. Os dois - time e hospital - pertencem ao médico traumatologista Francisco Vanor do Carmo Cruz, ex-atleta dos tempos de estudante, torcedor, conselheiro e ex-dirigente do Fortaleza Esporte Clube. O que pouca gente ouviu ou sabe é que o sonho de criança virou dor-de-cabeça.

    No dia 29 de setembro de 1997, o Uniclinic Atlético Clube nascia com estrutura modelo para os maiores clubes cearenses. O bairro da Lagoa Redonda, zona sul de Fortaleza (CE), ganhava um time com Centro de Treinamento, localizado bem próximo da Lagoa da Precabura, um lugar bucólico - o sonho estava realizado. No ano seguinte, o título da segunda divisão e ascensão à primeira divisão - o primeiro presente.

    Do nome às cores do uniforme - amarelo e roxo ou laranja -, tudo sempre provocou curiosidade, mas em campo nenhuma surpresa. Na sequência de campanhas sofríveis, o time foi rebaixado para a segunda divisão em 2002. Com a força de uma água, foi campeão da segunda, em 2003, e retornou à primeira, em 2004. Apesar do esforço pessoal de Vanor Cruz, o time não decolou e voltou a ser rebaixado, em 2008. Este ano não foi igual àquele que passou e não subiu de novo.

    O CT Uniclinic cresceu, ao longo desses anos, ganhou corpo na estrutura física e nome de Estádio Antonio Cruz, com capacidade para 4 mil torcedores, em homenagem ao pai do seu criador. A estrutura pessoal, no entanto, não apresentou resultados. Sem títulos e sem revelações de jogadores, que possam reforçar o cofre do clube, o sonho já não dá prazer.

    Cansado de meter a mão no bolso, o cartola Vanor Cruz falou mais alto, com sentimentos mercantilistas, e avisou que pretende trocar de endereço, mas em outra cidade. Somente a folha de pagamento tem previsão de R$ 70 mil/mês para a disputa ao acesso, em 2010, segundo Vanor Cruz. As demais despesas não foram reveladas por ele.

    Agora, são dois ou três sonhos para aliviar o peso das costas. O Tribunal de Justiça da Federação Cearense de Futebol recebeu denúncia de que Limoeiro e Guarani, recém-classificados para a primeira divisão de 2010, atuaram com jogadores irregulares. Caso a denúncia seja confirmada, o Uniclinic ganha a segunda vaga, hoje do Limoeiro. Seria o primeiro alívio.

    E qual seria o mais distante? O "presente" do Tribunal; mudar de mala e cuia para uma cidade do interior do Estado, com ajuda de custo; ou arrendar o Centro de Treinamento para minimizar o déficit de caixa? Convenhamos, trata-se de uma trinca enigmática. Nesse caso, parece não dar mais para pedir que o Hospital salve o Uniclinic.

    A Águia da Precabura precisa ganhar asas para voar, sozinha.