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    segunda-feira, 12 de novembro de 2012

    Faltou maturidade ao Fortaleza



    Ainda que sejam ditas e reditas mil razões para explicar a derrota do Fortaleza para o Oeste de Itápolis/SP, em pleno estádio Presidente Vargas, nenhuma delas deixará o torcedor tricolor conformado. Foi uma das tardes mais tristes que já testemunhei, porque ninguém imaginava que a vitória do Oeste, por 3 x 1, seria tão fácil.

    Nem o Oeste esperava tanta facilidade. O Fortaleza "relaxou" e se apavorou com o gol sofrido. De "caçador" virou "caça". Literalmente, o tiro saiu pela culatra. Na linguagem boleira, o Fortaleza "amarelou". 

    O próprio Fortaleza foi traído pela combinação de resultados. Jogava pelo empate sem gols e por qualquer vitória. O Oeste era um franco atirador. Tudo que o time paulista queria era um gol para ficar dono da situação. A partir do empate com gols, o Fortaleza teria de correr atrás da vitória.

    E foi exatamente o que aconteceu. Faltou maturidade ao Fortaleza. Não confundir maturidade com idade. A média de idade da equipe é de 30 anos - até elevada para correr atrás de equipes mais jovens. Faltou maturidade para administrar o início do jogo e os momentos de crise dentro da partida.

    O treinador Vica (e aí é preciso conhecer as razões dele) parece não ter acreditado que a equipe poderia jogar da mesma forma que vinha jogando. Desde o primeiro jogo, Vica mudou a forma de jogar. O time ganhou uma formação de três zagueiros em linha, dois volantes e os laterais sumiram. Os atacantes sofreram.

    Como culpar os atacantes se a bola não chega e quando chega, chega quadrada, queimando os pés deles. Aliás, a bola também queimava os pés dos zagueiros. Ninguém conseguia enxergar um volante na saída da bola. Era só chutão.

    O que esperar de Geraldo 38? Eu não tenho resposta. Além do peso da idade (38 anos), correr em todas as direções e armar jogadas? Como? Essa nunca foi a função dele, sozinho. Geraldo depende de boas companhias para jogar e não as teve nesses dois jogos. Aonde estavam os meias do time?

    O Fortaleza perdeu o acesso à Série B, mas não desperdiçou a temporada. Depois de esfriar a cabeça, o presidente Osmar Baquit admitiu que topa a reeleição. O treinador Vica também disse que fica para a próxima temporada. Dos males, o menor! Restam muitas ações positivas que podem ser levadas para 2013.

    Que não se esqueçam de acrescentar uma pitada de maturidade no elenco da próxima temporada. 

    Lamentável o comportamento de parte da torcida, que não soube suportar a dor da derrota e quebrou centenas de cadeiras do estádio. Também não dá para deixar de citar a atitude do atacante Serginho, autor do último gol do Oeste, que correu em direção à torcida adversária para comemorar. Foi uma provocação.              

    terça-feira, 13 de setembro de 2011

    Novo PV aos 70 anos de fundação




    Não dá para calcular quantas jogadas promoveram alegrias e tristezas aos milhares de torcedores que frequentaram o Estádio Presidente Vargas nesses últimos 70 anos. Mas é possível pinçar alguns dos craques que vivenciaram esses momentos. Foi isso que a Prefeitura de Fortaleza procurou fazer para homenagear os 70 anos de fundação do PV, chamado por muitos de "Gigantinho do Benfica", na festa de reinauguração do estádio.

    Vale a pena conferir e guardar como lembrança.

    domingo, 28 de agosto de 2011

    Ceará "broca" Bahia três vezes no PV

    Edmilson fez golaço de falta

    E Júnior Pipoca nem "brocou", mas andou próximo. O goleiro Diego foi o responsável pelo artilheiro não ter feito o gol prometido contra o ex-clube dele. Aliás, Diego contribuiu muito para a vitória do Ceará sobre o Bahia, por 3 x 0, esta tarde, no Estádio Presidente Vargas, na última rodada do primeiro turno do Brasileirão. Osvaldo foi decisivo na jogada do segundo gol, depois de várias tentativas frustradas.

    O Bahia foi melhor no primeiro tempo e no segundo tempo endureceu o jogo, mas foi surpreendido pelo contra-ataque de Osvaldo, aos 35", que serviu a bola na "bandeja" para Felipe Azevedo fazer o segundo gol. Aquele gol foi decisivo, porque esfriou a "fervura" que o Bahia havia colocado no jogo. Quatro minutos antes do gol, Diego fez duas defesas à queima-roupa em ataque trabalhado por Lulinha e Júnior Pipoca.

    Se o Bahia tivesse empatado o jogo àquela altura do segundo tempo, seguramente a história seria outra, ainda que o Ceará chegasse à vitória. O Bahia lutou muito, desde o momento em que sofreu o gol de Thiago Humberto, aos 16'. Somente Júnior Pipoca teve três boas oportunidades para empatar o jogo ainda no primeiro tempo.

    Depois que sofreu o gol de Felipe Azevedo, o Bahia "gelou". Marcelo Nicácio ainda acertou o poste direito do goleiro Tiago antes do terceiro gol, fruto de uma cobrança de falta milimétrica de Edmilson. Do ponto de vista do Bahia, não será exagero se disserem que o placar foi injusto. Prefiro dizer, no entanto, que o Ceará foi oportunista e eficiente diante de um time que batalhou, mas foi ineficiente.

    O técnico Vágner Mancini mexeu bem no time no segundo tempo. Trocou Boiadeiro por Patrick, Thiago Humberto por Felipe Azevedo e Marcelo Nicácio por Edmilson. A primeira alteração não surtiu tanto efeito porque Renê Simões anulou Patrick com a entrada de Maranhão no lugar do lateral esquerdo Dodô. No geral, as mudanças na defesa surtiram efeito.

    O Bahia retornou para Salvador à beira do abismo, na 16ª colocação, com 20 pontos, enquanto o Ceará ficou na 13ª posição, com 25 pontos. A derrota agitou a torcida tricolor e a imprensa baiana deixou o PV dando a demissão do técnico Renê Simões como certa.

    Ficha do jogo no Estádio Presidente Vargas, às 16h, pelo Brasileirão.

    Ceará - Diego, Cléber, Fabrício e Erivelton; Boiadeiro (Patrick), Michel, Eusébio, Thiago Humberto (Felipe Azevedo) e Vicente; Osvaldo e Marcelo Nicácio (Edmilson).

    Bahia - Marcelo Lomba (Tiago), Marcos, Paulo Miranda, Tite e Dodô (Maranhão); Marcone, Fabinho, Diones (Reinaldo) e Lulinha; Jones e Júnior Pipoca.

    Gols - Thiago Humberto, aos 16' minutos (1º tempo); Felipe Azevedo, aos 35'; Edmilson, aos 46' (2º tempo).

    Cartões amarelos - Marcelo Lomba, Tite, Fabinho e Lulinha (todos do Bahia).

    Renda - R$ 133.297,00 para um público pagante de 18.923.

    Árbitro - Wilton Sampaio (DF), auxiliado por Erich Bandeira (PE) e Fábio Pereira (TO).
         

    sábado, 13 de agosto de 2011

    É proibido comer, beber e coisa e tal

    Comer espetinho de "gato" virou luxo no  PV

    Definitivamente, após a reforma, o novo Estádio Presidente Vargas ficou bonito, colorido, moderno, pouco funcional e não preservou suas principais características. Localizado no bairro da Gentilândia, um braço do Benfica, beneficiado pela boa cobertura do transporte coletivo e pela proximidade do centro da cidade, o PV era ponto de encontro não só para ver o jogo, mas para a boa conversa, para a comilança e para bebemorar. Hoje, já não dá para fazer o mesmo de tempos atrás!

    Com a reforma no "Gigantinho do Benfica", os espaços que sobravam na parte interna do estádio (ao redor da arquibancada) ganharam edificações, a bebida (mesmo a cervejinha gelada) já não é encontrada a uma distância de 100 metros do PV e lá dentro os preços são absurdos para quem gosta de comer e beber refrigerante. Até a necessária água mineral tem preços "salgados".

    O "PV de açúcar", assim chamado por muitos, perdeu as características de estádio aconchegante e prazeroso nas tardes de domingo ou mesmo no meio da semana, após um dia estafante de trabalho, sem tempo para trocar a roupa formal pelo uniforme do time preferido. O papo, agora, é restrito à arquibancada ou, depois do jogo, nos bares da redondeza.

    Comer e beber, dentro do PV, também não tem mais o mesmo prazer e charme. Acabou o espetinho fumegante, gostoso e "no preço", assim como desapareceram aquela pipoca quente e cheirosa no carrinho, aquele vendedor do amendoim, da laranja, do cafezinho, da macaxeira, do rolete de cana, do algodão doce, do churro, do picolé, entre outras bugigangas.

    Quem não consegue ficar sem comer e beber por um longo período, como este cronista, tem que se render aos preços abusivos e aos mesmos produtos vendidos pelas lanchonetes do estádio. Não há escolha. Come sanduíche ou sanduíche. Se procurar, é possível encontrar o famoso "pratinho", um pequeno recipiente descartável com baião, arroz, carne ou frango e farofa. O espetinho sumiu. Agora, tem carne na chapa elétrica.

    Com a modernidade, o PV virou um palco interessante para o espetáculo futebol, mas perdeu o charme e o romantismo que envolvia o torcedor. É chegar, torcer pelo time preferido e voltar para casa. O torcedor de ontem (sem saudosismo) encontra um cenário que não o satisfaz e o torcedor de hoje vive a realidade do mundo contemporâneo, marcado pelo consumismo, custo elevado, produtos industrializados e violência.

    Algumas das perdas simbólicas são consequências da violência promovida pelas "torcidas organizadas". Pena que as autoridades não acabaram com elas, acabaram com o prazer daqueles que gostam de torcer, fazendo do futebol uma festa. Por exemplo, o torcedor não tem mais o direito de tremular a bandeira, vestir a camisa do time que ama e bebemorar com cerveja.

    A única esperança é que o gramado do PV continue sendo palco de grandes espetáculos para o apaixonado torcedor cearense. Afinal, dar show de bola no PV ainda não é proibido e é possível.              

    sábado, 21 de maio de 2011

    Ceará amarga derrota na estreia

    O paredão Adilson não conseguiu deter a pressão do Vasco da Gama, no jogo de estreia do Brasileirão 2011, e o Ceará perdeu, por 3 x 1, no Estádio Presidente Vargas. As duas equipes entraram com jogadores reservas, mas o Vasco apresentou melhor qualidade técnica e coletiva.
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    O zagueiro Cléber abriu o placar, aos 20' do 2º tempo. A virada do Vasco começou aos 33', com um gol de Bernardo, que fez o segundo gol logo a seguir, aos 34'. Jeferson fechou o placar, aos 44, em jogada de contra-ataque.
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    O Vasco poderia ter tirado mais proveito do primeiro tempo. Foi mais perigoso, mais envolvente e desperdiçou, pelo menos, duas boas oportunidades, uma delas aos pés de Bernardo. O Ceará só conseguiu melhorar o passe e chegar com perigo na área adversária nos últimos 15 minutos. Jr. Pipoca e Ernandes perderam duas boas oportunidades.
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    No segundo tempo, o jogo seguiu equilibrado até o gol do Ceará. Antes do gol, a equipe já merecia ter sido alterada em mais de uma posição. O treinador Vagner Mancini havia feito apenas uma mudança antes do gol com a entrada de Osvaldo em lugar de Sinho. Demorou.
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    Depois do gol de Cléber, Mancini trocou Thiago Humberto por Geraldo e deixou Murilo em campo sem boa produção. Somente tirou o Murilo após o segundo gol do Vasco. Já no intervalo, caberia mudanças com as saídas de Murilo, que produzia pouco, e Sinho que perdia os duelos com os zagueiros vascaínos.
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    O segundo time do Vasco venceu, merecidamente, porque tem melhor qualidade técnica que o segundo time do Ceará. Não acredito que essa derrota vá dificultar a vida dos alvinegros na seqüencia da competição. Ainda há muito tempo para recuperar. Agora, a decisão é pela Copa do Brasil, contra o Coritiba.

    terça-feira, 29 de março de 2011

    Confissões no Forum da Globo

    O professor Evaldo Lima, secretário de Esportes de Fortaleza, e o meia Adriano Pimenta, do Fortaleza Esporte Clube, foram os convidados do "Forum Esportivo" dessa segunda-feira, das 20h às 22h, na Rádio Globo Fortaleza, com apresentação de Renato Abreu e Jota Lacerda.

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    O secretário Evaldo falou sobre o estádio Presidente Vargas, na fase final de reformas, enquanto Adriano Pimenta contou como ajudou a vencer o clássico-rei desse domingo, no Castelão, pelo 2º turno do Cearense 2011, e deixou claro que disputará a 3ª Divisão do Brasileiro 2011, desde que "as coisas continuem bem como estão até aqui".
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    Partindo do princípio que "meia palavra basta para o bom entendedor", segundo provérbio popular, não é difícil imaginar que Adriano Pimenta refere-se aos acertos feitos com a diretoria tricolor para jogar até o final do estadual.
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    Quanto ao passe para o gol, aos 7' do 2º tempo, o meia tricolor confessou que foi advertido pelo atacante Tatu, no intervalo do jogo, e lembrou-se do recado antes de cruzar aquela bola. Disse Tatu: "Mete a bola na minha frente que eu vou me antecipar aos zagueiros". No primeiro tempo, Adriano havia enfiado a bola por trás do Tatu, diferente do que fez no lance do gol.
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    Adriano revelou, também, que o treinador Flávio Araújo recorreu a uma estratégia inteligente para blindar o grupo, logo depois das declarações do vice-presidente, Osmar Baquit, na última segunda-feira (dia 22), cobrando contratações e mudanças até na comissão técnica, se fosse preciso. Segundo Pimenta, os jogadores entenderam e fizeram um pacto de vitória.
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    O ambiente ficou agitado com a derrota para o Ferroviário, no Castelão, por 1 x 0. Depois da conversa de Flávio Araújo com os jogadores, veio a goleada sobre o Limoeiro, no estádio Alcides Santos, no Pici, por 4 x 0, e a vitória apertada no clássico-rei, por 1 x 0. Para Adriano, Flávio soube administrar a crise e evitar que o grupo fosse "contaminado" pelas críticas.
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    Sobre a fase ruim pela qual atravessa o meia Luciano Henrique, Adriano Pimenta disse que ficou surpreso. Acha até que Luciano está melhorando e comentou que fato parecido aconteceu no Sport de Recife, quando lá chegou, em 2009. Luciano não estava bem até que os dois começaram a jogar na equipe e a situação mudou. Pergunto, eu: "Será que aqui a história vai se repetir?".
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    Estádio Presidente Vargas
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    O secretário Evaldo Lima voltou a afirmar que o estádio PV será reaberto, no próximo mês de abril, mesmo restando construir o setor das cabines de rádio, TV e outras mídias. Garantiu Evaldo que a obra será concluída, em separado, respondendo à indagação que tenho feito, insistentemente, por razões de sobra. Ou não é comum abandonarem as obras no Brasil?
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    O Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura - Crea-CE emitiu, nessa segunda-feira, um laudo com as observações que devem ser cumpridas antes da data de reabertura. São ítens básicos, como gramado, vestiários, vidro de proteção (no lugar do alambrado), testes nas arquibancadas, iluminação, enfim.
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    Faltam, ainda, laudos do Corpo de Bombeiros, Vigilância Sanitária e Polícia Militar. O Ministério Público será a palavra final para autorizar ou não a reabertura do estádio PV. O secretário Evaldo não quis falar em data, mas fincou a palavra no mês de abril, segundo ele, para garantir os jogos do restante do 2º turno do Cearense 2011.
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    Sobre um possível clássico-rei, ainda no estadual, Evaldo Lima disse, claramente, que está inclinado a defender o chamado jogo de uma torcida só, como já está sendo aplicado pela Federação Mineira de Futebol. A torcida do time mandante torce no estádio, enquanto a outra torcida torce pelo rádio e/ou pela TV.
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    Anotem aí. O futuro nos dirá quem falou a verdade. Saberemos, em breve, se Adriano Pimenta estará vestindo a camisa do Fortaleza nas disputas da Terceirona; se o estádio Presidente Vargas será mesmo reaberto em abril de 2011; caso seja aberto, se as cabines de imprensa serão construídas nos devidos lugares conforme prometido; se houver clássico-rei, qual será a torcida no estádio.
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    O tempo é o Senhor da razão!

    segunda-feira, 14 de março de 2011

    Novo PV vítima de aleijão

    Há quatro anos começava a "agonia" do estádio Presidente Vargas, carinhosamente chamado de PV, localizado no bairro do Benfica, próximo à Praça da Gentilândia, fácil de ser acessado pelos torcedores de todos os bairros da cidade de Fortaleza. Lembro-me bem de uma tarde de domingo, em 2007, quando uma ventania quase colocou abaixo a cobertura de zinco sobre as cadeiras numeradas - no mesmo lugar da atual cobertura (veja a foto).
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    Fizeram uma improvisação, nada aconteceu naquela tarde, mas a cobertura foi retirada depois. A Prefeitura prometeu corrigir o problema em 15 dias. Eu duvidei, no microfone da Rádio Globo Fortaleza, e tive de encarar fervoroso discurso do então chefe de Esporte e Lazer da SER IV, Marcos Pinto, que não levava em conta nem sequer os prazos de licitação.
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    O tempo passou, nem cobertura nem nada. As denúncias começaram a ser cada vez mais freqüentes sobre outras áreas do estádio com riscos de desabamentos por corrosão. Em dezembro de 2007, o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado do Ceará (Crea-CE) diagnosticou uma série de problemas estruturais no PV e recomendou que não fosse realizada nenhuma atividade esportiva, naquele estádio, antes da realização de testes de corrosão e impacto.
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    A pressão foi tamanha que a Prefeitura resolveu contratar técnicos da Universidade Federal do Ceará. As denúncias foram confirmadas. O PV não foi fechado, apesar dos alertas. A capacidade de público do estádio foi reduzida a 10 mil lugares para os jogos do campeonato estadual, enquanto aguardava-se o resultado dos testes. Mas o que determinou a interdição do PV, em fevereiro de 2008, foi a repercussão do desabamento de parte das arquibancadas (praticáveis), instaladas ao longo da av. Domingos Olímpio, no domingo de carnaval.
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    No dia seguinte, a Prefeitura de Fortaleza anunciou a interdição do PV, surpreendendo a todos que já aguardavam o jogo entre Fortaleza x Horizonte, pelas semifinais do estadual. Daquele instante até agora, o PV tem sido alvo de muitas "estórias", muitas datas, muitas fantasias e poucas certezas. A prefeita Luizianne Lins desaparece do cenário e só reaparece quando a imagem da Prefeitura está sendo desgastada perante a crítica e a opinião pública.
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    As decisões sobre o PV têm sido tomadas a passos de tartaruga e a olhares do bicho preguiça. Não vou arranjar culpados, mas a morosidade é irritante. E tenho dito que não fosse a Copa 2014, o PV jamais seria reerguido ou sei lá quando seria movida uma palha por lá. Há informações que a Construtora responsável pelas obras reclama das alterações constantes do projeto original para atender a apelos populares.
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    Até acreditei na primeira data anunciada para entrega das obras: agosto de 2010, embora não fosse um prazo confiável tecnicamente. Como acreditar, agora? Passaram para janeiro, fevereiro, abril... Que não seja 1º de abril - um dia próprio para brincadeiras de mal gosto. Ainda que insistam em reabrir o estádio em abril, será penoso ver uma obra que saiu com tanto esforço ser vítima de um aleijão. Ou não será feio um praticável para abrigar a crônica esportiva e convidados em meio a uma milionária obra, novinha?
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    Não vão faltar apologistas ao monstrengo, eu sei. Até entendo, mas confesso que o medo maior é saber que o monstrengo poderá ter de esperar por outras "urgências" da Prefeitura de Fortaleza (que existem), ou até por outros Governos. Aqui pra nós, obra inacabada ser inaugurada com pompas e cair no esquecimento não é nada imoral nesse Brasil afora. Pelo menos para mim, é imoral e ilegal!

    terça-feira, 22 de dezembro de 2009

    ÁFRICA DÁ LIÇÃO NA COPA 2010

    Não posso negar que tenho feito comentários (no blog, no twitter, na rádio, no botequim...) a favor da realização da Copa 2014, no Brasil. Da mesma maneira, não devo esconder uma certa preocupação com a facilidade brasileira das más intenções. Minhas orelhas esquentaram ao ler esse texto, escrito pelo repórter Jorge Luiz Rodrigues, de O Globo, logo que retornou da África do Sul, ainda este mês.
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    Jorge Luiz cita, especificamente, o estádio Maracanã (Rio de Janeiro), mas é possível imaginarmos o estádio Presidente Vargas (Fortaleza), estádio da Fonte Nova (Salvador), estádio Morumbi (São Paulo), estádio Vivaldão (Manaus), estádio Mané Garrincha (Brasília), entre outros. Leiam:
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    "…acabo de voltar da África do Sul, onde, em sete dias, visitei cinco estádios novinhos em folha da Copa-2010. Após essa experiência, não temo escrever que não temos no Brasil um só projeto decente de estádio para 2014.
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    Além de atrasado e de não ter consistência, o novo projeto de reforma do Maracanã encarece o custo (por baixo, R$ 500 milhões) por causa de uma constatação básica: qualquer remodelação de um estádio com 60 anos de uso precisará recorrer a artifícios para atender às exigências da FIFA.
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    E, sabe-se, artifícios geram custos, encarecem obras e nem sempre atendem os objetivos. Ninguém reparou, mas há outro fato grave no projeto… O entorno do Maracanã, exceto pelo estacionamento na Quinta da Boa Vista, não tem plano algum. Planos de transporte, de escoamento, de acesso.
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    Também porque, em vez de construir alternativas para o Parque Aquático Júlio de Lamare e o Estádio de atletismo Célio de Barros, prefere-se mantê-los ali, sem chance de transformá-los em pistas e piscinas de primeiro mundo noutro lugar.
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    Em Durban, Porto Elizabeth, Nelspruit, Polokwane e no Soccer City de Johanesburgo, onde estive, houve estouro de orçamentos, atrasos, custo mais alto, mas fizeram-se novos estádios, modernos, sem vícios e a custo às vezes menor (exceto Soccer City e Durban) do que o apresentado para reformar o Maracanã. Vale a pena reformar ou construir um novo?
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    Já foram R$ 200 milhões para o Pan, serão R$ 500 milhões para 2014, quantos mais para a Rio-2016? O Brasil ridicularizou a África do Sul. Falou-se que os africanos não conseguiriam fazer o Mundial. Está correto que há graves problemas de transporte e de hospedagem por lá. Mas não de estádios.
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    Mas, por aqui, há dois anos, desde a confirmação do Brasil como sede do Mundial-2014, o que vemos são muitos seminários e blablablá. Muita conversa fiada, sem conteúdo. Muita falação, pouca e quase nenhuma ação.
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    Nenhum projeto está atrasado. Mas em 1º de março, quando começará o prazo para o início das obras nas 12 cidades, veremos que nada terá começado. Até no Maracanã. Lá no fim, virá a conta. E os R$ 500 milhões ultrapassarão facilmente o R$ 1 bilhão. Mais do que o Soccer City e o Moses Mabhida de Durban novinhos em folha.
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    O Patrimônio Histórico faria um enorme favor se permitisse a demolição do Maracanã, em nome de um estádio mais moderno, capaz de atrair investidores, capazes de explorá-lo. Mas já se perderam dois anos e dois meses. Agora, a corrida é contra o tempo. Certamente o Maracanã-2014 não só terá deixado de ser o maior do mundo como também não será o melhor."