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    quarta-feira, 6 de outubro de 2010

    'Viajei' com Bahia 4 x 1 Santa Cruz

    Bahia e Santa Cruz jogaram, nessa terça-feira, pelo Campeonato Nordeste, no Estádio Alberto Oliveira, o Jóia da Princesa, no bairro Sobradinho, em Feira de Santana (BA). Se a intenção era levar atração à cidade Princesa do Sertão, o marketing falhou. O estádio estava vazio.

    Lá, o torcedor só sai de casa para ver o Fluminense de Feira. Os outros clubes locais não têm o mesmo prestígio, nem mesmo o Bahia de Feira - para o qual eu torço. Acho até que o ECVitória tem mais prestígio que o ECBahia com o torcedor feirense.

    Nessa época do ano, a temperatura costuma ser baixa. Para uma cidade sertaneja, os termômetros chegam a marcar bem abaixo dos 20º centígrados. Às vezes, chove. Não foi o caso dessa terça-feira, mas o torcedor feirense preferiu ficar em casa.

    Acompanhei o jogo pelas emissoras de rádio. Matei saudades ao ouvir as Rádios Sociedade e Subaé. Não consegui ouvir as Rádios Cultura e Carioca de Feira. Meu começo no rádio, entre 1979 e 1980, deu-se na Rádio Subaé.

    Minha primeira entrevista foi realizada no estádio Jóia da Princesa sob um sol escaldante do meio-dia. O entrevistado foi o saudoso Geraldo Pereira, à época, treinador interino do Fluminense de Feira, o que geralmente ocorria nos períodos de "vacas magras".

    O registro que não esqueço jamais: "Esqueci de acionar o botão 'rec' e não gravei nada". Já estava de volta para a emissora, caminhando, quando resolvi conferir o trabalho. O gravador Nathional, grande e pesado, permanecia mudo. Voltei, assustado, suado, e encontrei o "Seu GP".

    Não posso fazer queixas do início. Foi atropelado, mas generoso. Aquele mulato, alto, voz pausada, brincalhão, banho tomado, bateu nas minhas costas e não negou a reentrevista. Precavido, no entanto, o paciente GP, pai do treinador cearense Lula Pereira, conferiu se o gravador estava gravando. Deu certo até hoje.

    Obrigado, "Seu GP"!

    segunda-feira, 6 de julho de 2009

    GOL DO ALECRIM RELEMBRA TÁTICA DO PAI DE LULA PEREIRA

    Sempre que vou à Vila Elzir Cabral, do Ferroviário, na Barra do Ceará, tenho alguma surpresa. No último domingo, dia 5/7, no entanto, tive duas surpresas: uma, desagradável (a vitória do Alecrim (RN), por 1 x 0, com gol aos 49 minutos / 2º tempo); outra, agradável (conheci, pessoalmente, o treinador Lula Pereira). Durante os 12 anos que moro aqui, em Fortaleza, foi a primeira vez que conversei, pessoalmente, com o ex-técnico do Ceará (foto).
    Ter encontrado o treinador Lula Pereira, 53 anos, num estádio de futebol, teria sido um fato normal caso eu não tivesse convivido com o pai dele, o também treinador Geraldo Pereira. E disse isso a Lula Pereira. Ele ficou emocionado, eu também. Rapidamente, remontamos um passado distante no tempo, mas bem próximo em nossas memórias.
    Eram 17 horas, estávamos no intervalo do jogo, eu tinha pouco a dizer no comentário que faria para a Rádio Globo Fortaleza. O Alecrim jogou recuado durante todo o primeiro tempo. O Ferroviário insistiu em erros táticos e esbarrou na retranca: 0 x 0. Em dois minutos eu faria o comentário. Foi o tempo que durou a conversa de apresentação entre eu e Lula. Logo a seguir o entrevistei, não sobre o jogo, mas sobre a importância de "Seo GP" na minha história de vida.
    Em 1980, eu vivenciava os primeiros aprendizados no rádio esportivo. Um repórter faltou ao serviço (é sempre assim). Recebi, então, a missão de entrevistar o treinador do Fluminense de Feira (BA), Geraldo Pereira ou "Seo GP", como era tratado respeitosamente. De posse de um pesado gravador National fui cumprir a missão.
    Depois de acompanhar um treino recreativo, numa ensolarada manhã de sábado, encarei a concorrência e fiz a entrevista. Já estava indo para a emissora, caminhando, sol a pino, resolvi conferir a gravação. Tive sensação de calafrios quando percebi que não tinha gravado nada. Decidi voltar ao estádio Jóia da Princesa e corrigir o erro.
    Dez minutos depois, esbaforido, estava eu diante de "Seo GP" na saída do estádio. Um misto de homem sisudo e sorridente, banho tomado, provavelmente faminto, certo do dever cumprido e solícito. Depois de ouvir minhas desculpas me deu tapas nas costas e disse: "Vamos lá, garoto. Quando está começando é assim mesmo. Conte comigo". Foi uma grata lembrança.
    Lula Pereira ainda teve tempo para relembrar passagens marcantes da convivência entre eles (pai e filho). "Ele era correto, duro no trabalho, tão dedicado que colocava o Fluminense no Hotel dele sem nada receber. Morreu cedo (antes dos 70 anos) por causa da teimosia", disse emocionado.
    Nos despedimos. O segundo tempo começou e o Ferroviário voltou a insistir na bola aérea, sem trabalhar pelo meio e pelas laterais do campo. Como num flash, voltei 29 anos no tempo, para lembrar que Geraldo Pereira ensinava aos gritos: "Cruza rasante na área". Traduzindo: pedia aos pontas para que cruzassem a bola à altura do umbigo. Para "Seo GP", "essa bola era mortal". Se era ruim para os atacantes, pior ainda para os zagueiros.
    Olhar fixo no gramado da Vila Elzir Cabral, finalzinho de jogo, eis que o Alecrim percorre o caminho outrora indicado pelo pai de Lula Pereira. Um contra-ataque pela esquerda (digo ponta-esquerda) e o veloz Wesclei dispara em direção ao gol. Não cruza rasante. Chuta forte, rasteiro, vencendo o goleiro Jéfferson: 1 x 0. Convenhamos, o tempo passou e "Seo GP" continua vivo na prática.
    Geraldo Pereira morreu há quatro anos, em Feira de Santana, na Bahia. Fez tudo no Fluminense de Feira, principalmente nos momentos de crise. Natural de Olinda (PE), Lula Pereira chegou a trabalhar com o pai, no início da carreira, mas alçou voo e fez nome no futebol pernambucano, como zagueiro do Sport e do Santa Cruz. Encerrou a carreira no fim da década de 80, no Ceará Sporting, onde também escreveu história como treinador.
    Dentro da sua simplicidade, Geraldo Pereira também garimpava novos jogadores e revelou alguns craques que jogaram em grandes equipes. Por exemplo, o meia Paulo Roberto, que jogou no Vasco da Gama, na década de 70. Lembra-se dele? O texto abaixo é o maior testemunho dessa história.