Quem acompanha o futebol pelo Brasil já ouviu falar, algum dia, do Uniclinic Atlético Clube - a Águia da Precabura. Quando pronunciado como "time do Uniclinic" chega a fazer confusão com o Hospital Uniclinic. Não é mera coincidência. Os dois - time e hospital - pertencem ao médico traumatologista Francisco Vanor do Carmo Cruz, ex-atleta dos tempos de estudante, torcedor, conselheiro e ex-dirigente do Fortaleza Esporte Clube. O que pouca gente ouviu ou sabe é que o sonho de criança virou dor-de-cabeça.
No dia 29 de setembro de 1997, o Uniclinic Atlético Clube nascia com estrutura modelo para os maiores clubes cearenses. O bairro da Lagoa Redonda, zona sul de Fortaleza (CE), ganhava um time com Centro de Treinamento, localizado bem próximo da Lagoa da Precabura, um lugar bucólico - o sonho estava realizado. No ano seguinte, o título da segunda divisão e ascensão à primeira divisão - o primeiro presente.
Do nome às cores do uniforme - amarelo e roxo ou laranja -, tudo sempre provocou curiosidade, mas em campo nenhuma surpresa. Na sequência de campanhas sofríveis, o time foi rebaixado para a segunda divisão em 2002. Com a força de uma água, foi campeão da segunda, em 2003, e retornou à primeira, em 2004. Apesar do esforço pessoal de Vanor Cruz, o time não decolou e voltou a ser rebaixado, em 2008. Este ano não foi igual àquele que passou e não subiu de novo.
O CT Uniclinic cresceu, ao longo desses anos, ganhou corpo na estrutura física e nome de Estádio Antonio Cruz, com capacidade para 4 mil torcedores, em homenagem ao pai do seu criador. A estrutura pessoal, no entanto, não apresentou resultados. Sem títulos e sem revelações de jogadores, que possam reforçar o cofre do clube, o sonho já não dá prazer.
Cansado de meter a mão no bolso, o cartola Vanor Cruz falou mais alto, com sentimentos mercantilistas, e avisou que pretende trocar de endereço, mas em outra cidade. Somente a folha de pagamento tem previsão de R$ 70 mil/mês para a disputa ao acesso, em 2010, segundo Vanor Cruz. As demais despesas não foram reveladas por ele.
Agora, são dois ou três sonhos para aliviar o peso das costas. O Tribunal de Justiça da Federação Cearense de Futebol recebeu denúncia de que Limoeiro e Guarani, recém-classificados para a primeira divisão de 2010, atuaram com jogadores irregulares. Caso a denúncia seja confirmada, o Uniclinic ganha a segunda vaga, hoje do Limoeiro. Seria o primeiro alívio.
E qual seria o mais distante? O "presente" do Tribunal; mudar de mala e cuia para uma cidade do interior do Estado, com ajuda de custo; ou arrendar o Centro de Treinamento para minimizar o déficit de caixa? Convenhamos, trata-se de uma trinca enigmática. Nesse caso, parece não dar mais para pedir que o Hospital salve o Uniclinic. 
A Águia da Precabura precisa ganhar asas para voar, sozinha.


