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    quinta-feira, 12 de abril de 2012

    Ceará, Sport, Bahia, Vitória e árbitro capixaba melam...

    Árbitro capixaba Marcos da Penha  foi  sampaulino

    Foi uma noite pra ver "urso de gola", uma expressão utilizada para expressar vexames, muito mais que alegrias para alguns de nós nordestinos. Pior que isso foi ver que o nível da arbitragem nacional sofre de crises espasmódicas de acordo com a importância dessa ou daquela equipe. O São Paulo não precisava de ajuda do árbitro capixaba, Marcos André da Penha, que prejudicou o time do Bahia de Feira/BA durante os 90 minutos do jogo.

    O São Paulo venceu, por 5 x 2, num jogo com três gols de pênalti e eliminou o Tremendão. Até aí, tudo normal. Foram sete gols e a equipe melhor qualificada tecnicamente venceu. O que não agrada é ver o árbitro marcar um pênalti, aos 10 minutos, quando o atacante Luis Fabiano salta antes do choque com o goleiro que já está caído. O encontro entre os dois era inevitável pelo traçado da jogada, mas não houve choque.

    Além de marcar o pênalti "cavado", o capixaba expulsou o goleiro Dionantan (como manda a regra), reduzindo o Bahia de Feira numericamente. O técnico Arnaldo Lira foi forçado a tirar o experiente Jackson para colocar o goleiro Felipe. Todo o time foi obrigado a correr mais. E contra quem! 

    Não é correto dizer que o resultado do jogo seria outro caso a marcação não tivesse ocorrido. Mas é correto dizer que o método de arbitrar foi passional. Ao longo do jogo, atacante João Neto agarrado dentro da área não foi pênalti. Zé Roberto derrubado ao lado da área não foi falta. Sem citar lances menos discutíveis. Assim, a democracia da Copa do Brasil vai terminar sempre quando um time grande enfrentar um time pequeno.

    SURPRESAS

    O Ceará Sporting foi surpreendido pelo jovem time do Paraná Clube. Começou à frente do placar, cochilou, sofreu um gol bobo e teve de correr atrás do empate: 2 x 2. O calouro técnico Ricardinho colocou em campo um time formado na Base do clube. Dos 19 jogadores que vieram ao estádio Presidente Vargas, nove saíram da Base e honraram a camisa. O Ceará está obrigado a empatar sem gols ou vencer em Curitiba se quiser seguir na competição. 

    As surpresas não pararam por aí. O Sport de Recife foi desclassificado em casa pelo Paysandu ao sofrer uma goleada de 4 x 1. O Bahia perdeu para o Remo, em Belém, por 2 x 1. Começou perdendo, empatou, mas não segurou o placar. Tricolor ter de ganhar em Pituaçu para seguir na Copa. ABC 1 x 1 Vitória, em Natal, obriga o rubro-negro baiano a vencer dentro de casa. O Chapecoense/SC, em casa, deu calor no Cruzeiro e quase não cedeu o empate: 1 x 1. O time mineiro decide em casa sem grande vantagem.

    COPA DO NORDESTE

    O diretor técnico da CBF, Virgílio Elízio da Costa Neto, estava em Feira de Santana/BA, no estádio Jóia da Princesa, e viu de perto a goleada do São Paulo. Ao falar com a imprensa local, Virgílio Elízio confirmou que a Copa do Nordeste será realizada com 16 equipes, de janeiro a meados de março de 2013, com provável início no dia 13.

    Virgílio elogiou o público presente ao Jóia da Princesa nessa época de magras arrecadações pelo Brasil a fora. Bahia de Feira 2 x 5 São Paulo teve renda de R$ 650.040,00 - público pagante de 15.834. No PV, Ceará 2 x 2 Paraná Clube (sem o mesmo apelo) teve renda de R$ 145.124,00 - público pagante de 11.952 (destacando o ingresso de sócio torcedor).

    A noite não poderia ser encerrada com uma das pérolas do comentarista Neto, da TV Bandeirantes. Ao criticar o gramado do estádio Jóia da Princesa, deu a classificação de "pasto". Talvez, Neto tenha sentido saudades dos tempos em que se servia dos "pastos" pelo interior de São Paulo. O piso do campo não está bem conservado, é verdade, mas o gramado não chega a ser um pasto. Aliás, nem choveu por lá.          

    sábado, 23 de julho de 2011

    As dores que afetaram Ferdinando

    Com arte, o torcedor tricolor revela sua passionalidade 

    A decisão do técnico Ferdinando Teixeira, 65 anos, de anunciar aposentadoria logo após a estreia com derrota na Série C do Brasileiro, abre um leque de provocações, especulações, insinuações e, mais uma vez, abre o caloroso debate em torno das ingerências que atrapalham as comissões técnicas de equipes de pequeno e médio porte. A críticas maldosas saltaram os muros do Pici e atingiram Ferdinando em cheio.

    "O pau que dá em Chico dá em Francisco", segundo o velho e pertinente adágio popular. O torcedor tricolor sentiu na pele a gozação que fez com o torcedor alvinegro, dias atrás, quando o meia Belletti anunciou aposentadoria depois de ter assinado contrato com o Ceará. A diferença é que Belletti não suportou as dores do corpo e Ferdinando Teixeira não suportou as dores da alma.

    Ao explicar a decisão, Ferdinando admitiu que o corpo não reagiu bem após a derrota para o CRB/AL, por 1 x 0, mas admitiu, também, ter consciência que uma parte da diretoria queria que ele saísse do comando da equipe. Os ataques sofridos não atingiram só a pressão arterial do técnico. Sabiamente, como bom professor, Ferdinando juntou o útil ao agradável (para alguns) e decidiu voltar para casa.

    Ciúmes, jogo de vaidades, choque de ideias, entre outras situações, precisam ser administradas pela diretoria para que a comissão técnica não seja afetada. Pelo visto, isso não aconteceu nesses dias pós derrota. Todos têm direito de desejar esse ou aquele jogador no time, muitos escalam o time preferido, mas o técnico tem o direito supremo (intocável) de escalar o time que achar melhor. Pelo visto, isso não aconteceu no tricolor.

    As respostas às interrogações, que porventura ainda existam, foram dadas pelo técnico Arnaldo Lira ao listar as exigências para aceitar o desafio de substituir Ferdinando. Lira pediu R$ 40 mil/mês, R$ 40 mil de "luvas", cinco jogadores indicados por ele e NENHUMA interferência no trabalho técnico. Para alguns, a pedida foi exagerada e esnobe. Entendo que a pedida foi provocativa. Lira já sabe o que enfrentaria por aqui.

    Soube até que o conselheiro Ribamar Bezerra, autor da sondagem, estava disposto a aceitar a proposta, mas não faltou quem reprovasse a última exigência em letras maiúsculas. Essa prática de exigir resultado imediato das comissões técnicas, muitas vezes sem os jogadores indicados pelos profissionais, é comum em equipes que não atingiram solidez administrativa ou não incorporaram o estágio empresarial.

    Marcelo Villar também não veio porque sabe que não há estabilidade para desenvolver o trabalho. No Treze/PB há duas temporadas, chegou ao bicampeonato estadual, consolidando credibilidade. Preferiu arriscar mais uma temporada, com salário reajustado, a arriscar alguns jogos por uma boa quantia financeira. Assim como Lira, Villar também sabe com quantas correntes diferentes teria de lidar no mesmo clube.

    Sai do futebol um homem de bem, vencedor, com história para contar aos netos e ser contada pelos historiadores do futebol. Poderia ter saído antes, em silêncio, para buscar qualidade de vida ao lado da família, mas não rejeitou o que seria mais um desafio. Acontece que nem pôde lutar para vencê-lo porque não tinha trincheira. Sem trincheira, é melhor sair da guerra. Fica o recado aos comandantes do "quartel" Pici.

    Valeu, Ferdinando!             

    sexta-feira, 22 de julho de 2011

    Bernardes na mira do Fortaleza

    Último clube de Bernardes foi o Duque de Caxias/RJ

    Depois do anúncio de aposentadoria do treinador Ferdinando Teixeira, o Fortaleza bateu em várias portas até acertar a contratação do carioca Arthur Bernardes, 56 anos, com 23 anos de experiência na função (metade do tempo no exterior) e dois títulos conquistados (Espanha, em 1990, e Emirados Árabes, em 1997). Marcelo Villar e Arnaldo Lira disseram não ao tricolor. O primeiro teve reajuste de salário no Treze/PB e o segundo fez uma proposta de Série A.

    Arthur Bernardes treina a terceira equipe brasileira depois que retornou da Coréia do Sul, onde comandou o Jeju United FC nas temporadas de 2008 e 2009. Retornou ao Brasil ano passado, quando treinou o América/RJ de Romário até o final da Copa Rio. Em setembro, assumiu o Duque de Caxias para disputar o Campeonato Carioca, mas os maus resultados forçaram sua saída em março deste ano.

    Ainda lembro de Arthur Bernardes no Esporte Clube Bahia, em 1994 (nessa época eu cobria o Vitória), quando o Esquadrão de Aço foi campeão baiano. O técnico campeão, no entanto, foi Joel Santana, que substituiu Arthur Bernardes e deu uma arrancada para o título com um empate no Ba x Vi, em 1 x 1, gol de Raudinei no último minuto.

    Depois que saiu do Bahia, Arthur Bernardes foi treinar o Clube Futebol União, na Ilha da Madeira, em Portugal. Antes do Bahia, Bernardes treinou Madureira/RJ, América/MG, Atlético/MG, Sport/PE, América/SP, Fluminense/RJ, Goiás/GO e Marília/SP.

    Depois que voltou de Portugal, Bernardes passou pelo Flamengo como assistente, em 1995, e seguiu para o mundo árabe, onde trabalhou em sete equipes, durante um período de dez anos, com duas saídas para o Alianza de Lima, no Peru, e Botafogo/RJ.

    Depois que retornou, definitivamente, do mundo árabe, Bernardes treinou o Marília/SP e o Juventus/SP. Em 2008, fez a primeira incursão no futebol coreano e retornou ao Brasil depois de duas temporadas. Como é fato, trata-se de um treinador com larga vivência no futebol do mundo árabe, passagens pelo futebol português e coreano.

    Apesar das notícias dando conta da contratação do treinador Arthur Bernardes pelo Fortaleza, o site do clube nada publicou sobre o assunto até o momento da publicação deste post. O presidente Osmar Baquit teria confirmado um encontro com o treinador, ainda esta tarde, aqui em Fortaleza, para definir a contratação de forma oficial.