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    quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

    EXTRA: Novidade no caso Air France

    A notícia da queda do avião da Air France, naquele último domingo de maio de 2009, ainda consome o sono de muita gente. Uma semana depois entrevistei o pai de uma das vítimas. Ele é perito e disse que preferia não encontrar o corpo da filha. Veja vídeo com entrevista: http://jotalacerdacomenta.blogspot.com/2009/06/air-france-perito-nao-quer-encontrar.html.
    Hoje, a Agência Estado publica notícia que alivia a tensão de muitos parentes das vítimas. Abaixo, íntegra da matéria publicada.
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    FAMÍLIAS DE VÍTIMAS DO 447 APROVAM NOVAS BUSCAS
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    Uma nova busca internacional pelos restos do avião da Air France que fez o voo 447 terá início em meados de março, quase nove meses depois de o avião ter caído no oceano Atlântico, anunciou hoje o Serviço de Investigações e Análises francês (BEA). As novas buscas vão custar 10 milhões de euros (US$ 13,73 milhões).
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    O plano de pesquisa, que vai envolver navios norte-americanos e noruegueses, vai cobrir uma área de 2 mil quilômetros quadrados de mar, disse Jean-Paul Troadec, diretor do BEA. Segundo ele, as buscas, que devem durar cerca de quatro semanas, serão a maior e mais cara operação que sua agência já conduziu e "uma das operações mais complexa já realizadas".
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    Troadec disse que os primeiros esforços de busca após do acidente de 30 de junho que matou 228 pessoas, "não foram produtivos". Desde então, "a investigação ficou paralisada", disse ele. As caixas-pretas nunca foram encontradas.
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    "Eu acho que temos boas chances", disse ele, "bem acima de 50%". "Mas será difícil", acrescentou. "Primeiro, teremos que encontrar o palheiro, depois procuraremos pela agulha." O diretor do BEA disse que as buscas começam em meados de março, dependendo das condições meteorológicas, e que os instrumentos serão instalados em questão de dias.
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    Esperanças
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    Famílias das vítimas do voo 447 da Air France saudaram as novas buscas. John Clemes, irmão de uma das vítimas, disse que o plano de buscas "renovou suas esperanças". "Nosso único lamento é que demorou muito", disse Clemes.
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    Troadec disse que as buscas atingirão profundidades de até 4 mil metros. As pesquisas serão financiadas pela Airbus e pela Air France. A Marinha dos Estados Unidos e a Agência Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) também vão ajudar, além de especialistas em acidentes do Reino Unido, Alemanha, Rússia e Brasil e do auxílio de empresas privadas.
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    A vida útil do artefato que emite sinais, presos às caixas-pretas, é de apenas um mês, mas as autoridades disseram que submarinos e barcos equipados com sonares podem encontrar os restos do Airbus 330, mesmo sem os sinais. Os investigadores "disseram que as caixas-pretas podem sobreviver a esse tipo de impacto e durante um tempo sob a água", disse Clemes.
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    A segunda e mais recente busca pelas caixas-pretas foi encerrada em agosto. Os investigadores insistem que o acidente pode ter sido causado por uma série de falhas, mas só as caixas-pretas revelarão as reais causas.

    terça-feira, 9 de junho de 2009

    AIR FRANCE: PERITO NÃO QUER ENCONTRAR CORPO DA FILHA

    O bombardeio de notícias sobre o voo AF 447, da Air France, chegou até meus ombros. Ontem, fui convocado para entrevistar o engenheiro mecânico, aposentado, Marten Van Sluys, 76 anos, perito naval, pai de Adriana Sluij, 40 anos, uma das 228 vítimas desse enigmático desastre aéreo, ocorrido no último domingo de maio. Adriana, que nasceu na Holanda "por acaso", falava quatro idiomas e viajava como assessora da Petrobras para a Coréia do Sul, com escala na França.

    Na cidade portuária de Busan iria representar a empresa numa cerimônia de entrega de um navio plataforma pelos sul-coreanos. Meia hora antes do embarque, no Aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro, Adriana falou com o pai, por telefone, disse que estava feliz, mas tinha medo de atentados. Marden a tranquilizou: "Essa rivalidade entre as Coréias é encenação".

    Depois disso, a notícia do sumiço do avião. O engenheiro juntou-se a amigos dele, especialistas em voos internacionais, para entender o que pode ter havido. Enfim, chegaram a uma hipótese mais provável: "Houve desatenção da tripulação; em seguida, um forte e surpreendente impacto; despressurização e queda livre", concluem.

    Nada fora de série, mas são hipóteses que sossegam o veterano homem do mar. Para Marden Van Sluys, tudo acabou. Quer guardar apenas a lembrança de uma filha brilhante. "Peço a Deus para que o corpo dela não seja encontrado - será melhor assim", fala resignado.

    TRECHOS DA ENTREVISTA

    DESATENÇÃO - Antes de desaparecer dos radares, o Airbus da Air France foi acompanhado de perto por um avião da companhia espanhola Ibéria, que desviou de seu trajeto original para evitar uma forte turbulência. Por que a tripulação da Air France não tomou a mesma decisão?

    ROTA DE COLISÃO - Quando percebeu a área de turbulência à sua frente, o comandante do IB 6024 desviou da rota e não viu mais sinais do AF 447 em seu radar. No espaço aéreo do Senegal também já não havia sinal do avião francês.

    DEMORA - Para o veterano perito, houve demora na reação da tripulação para uma situação que estava prevista, isto é, forte tempestade. Por que a demora?

    DESPRESSURIZAÇÃO - O forte impacto provoca ruptura da fuzelagem do avião. Destroços e corpos podem ser atirados a quilômetros de distância. Geralmente aparecem uma semana depois, como está acontecendo.

    EMOÇÃO - Depois de ter perdido a esperança, o holandês Marten Van Sluys prefere que o corpo da filha não seja encontrado. "Assim, seria melhor", garante.

    CARREIRA BRILHANTE - Adriana Sluij falava Português, Holandês, Inglês e Espanhol. Era solteira, querida entre os colegas e amigos, deixou pai e três irmãos. Todos tinham orgulho dela.

    Esta é apenas uma das 228 histórias que recheiam as notícias do voo 447, que saiu do Aeroporto Tom Jobim, na noite do dia 31 de maio/2009, com chegada prevista ao Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, na manhã seguinte, às 6h de Brasília. Todos ainda vivem a expectativa da notícia final.

    O Tribunal de Paris anunciou a abertura de um processo de "homicídio culposo", atendendo a pedido do Ministério Público local. De acordo com o tribunal, a investigação aberta não se dirige contra nada ou ninguém em particular. Salienta, ainda, que não foi indicado que haja qualquer evidência de criminalidade no caso.

    Colaboração e vídeo: Edinho Araujo.