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    quarta-feira, 20 de julho de 2011

    Morre líder de torcida à moda antiga

    Lourinho retirado de campo pelo árbitro Manoel Lima Matos


    As torcidas organizadas, em todo o Brasil, deveriam ter decretado luto pela morte de Lourival Lima dos Santos, o Lourinho, aos 67 anos completados no dia 26 de março, ocorrida nessa terça-feira, em Teresina/PI, onde morada desde 2002. A homenagem seria justa porque trata-se de um dos primeiros líderes de torcida deste país, cujo objetivo real era alegrar os estádios e 'empurrar' o time do coração, o Bahêêêa, respeitando o torcedor adversário, sempre.

    Lourinho virou uma lenda viva nas décadas de 1970, 80 e 90, quando o Esporte Clube Bahia 'cantava de galo' no futebol baiano. Lourinho agitava a torcida tricolor, tirava 'sarro' com as torcidas adversárias, principalmente a rubro-negra, apavorava as equipes adversárias com seus bozós, suas macumbas, dentro e fora de campo, sem nunca partir para a agressão física como nos dias de hoje.

    Lembro-me bem quando Lourinho 'amarrou' as mãos do goleiro Taffarel e 'espetou' os jogadores do Internacional na disputa final do Brasileirão de 1988. Os jogadores colorados viraram bonecos hipnotizados pelo vodu que Lourinho garantia existir e funcionar. No Estádio Beia Rio, em Porto Alegre, Lourinho driblou a segurança e espalhou as bruxarias pelos vestiários. Espantou os gaúchos.

    Espantou até o técnico Evaristo de Macedo e os primeiros que chegaram ao vestiário do Bahia. Pelo sim ou pelo não, o tricolor conquistou aquele título em terras gaúchas e não faltou quem acreditasse que os bonecos e as bruxarias de Lourinho 'deram uma força' na conquista.

    Um post publicado pela Rádio Metrópole de Salvador relembra um episódio que marcou a vida de Lourinho como chefe da torcida tricolor: "Na final do Campeonato Baiano de 1971, Lourinho soltou uma pomba branca dentro do Estádio da Fonte Nova, antes do jogo, com fitas azuis, vermelhas e brancas amarradas nas patas. A pomba voou e parou em uma das metas. Foi exatamente ali, aos 13 minutos de jogo, que Artur fez um gol. O Bahia sagrou-se bicampeão naquele ano".

    Lourinho já não liderava a torcida tricolor fazia muitos anos. Depois dele... é difícil falar em um líder com as mesmas características. O anão Evilásio Ferreira, que também morreu em fevereiro passado, passou a ser um símbolo de alegria da torcida tricolor. Os dois tinham, exclusivamente, o objetivo de animar a torcida. Lourinho era um folclore à parte.

    Também lembro-me que Lourinho passou a trabalhar com o deputado Paulo Maracajá, então presidente do Bahia, prestando serviço na Assembleia Legislativa e na sede de praia da Avenida Otávio Mangabeira. Não dou conta da época. Em 2002 aposentou-se e foi morar no Piauí. Por que no Piauí, já que nasceu em São Miguel das Matas, no Centro Sul da Bahia?

    Quem arrisca indicar outro líder de torcida que tinha ou tenha a mesma alegria e o mesmo desejo de Lourinho, quando a missão era ajudar o Bahia a vencer mais uma partida, mesmo que fosse amistosa ou para cumprir tabela? Lourinho não era chefe de torcida, era embaixador da alegria da torcida tricolor.

    Axé, boa viagem, Lourinho!

    Um comentário:

    Sheldon Montalvão disse...

    Lacerda...vc descreve perfeitamente o que representou este "símbolo das arquibancadas".