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    quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

    Ceará aprende a negociar

    Quando duas ou mais partes falam em negociação não dá para usar o coração. "Negócio é negócio, amizade à parte", segundo o surrado adágio popular. Por isso, casos como os relacionados ao lateral esquerdo Roberto Carlos, ao meia Luciano Henrique e ao presidente do Ceará, Evandro Leitão, devem ser entendidos à luz do Direito. As cores dos clubes servem, apenas, como pano de fundo.
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    Perguntaram minha opinião sobre as exigências do Ceará Sporting para assinar o contrato de televisamento de seus jogos no Campeonato Cearense 2011. Fui curto e grosso: o Ceará tem todo direito de exigir o valor que acha justo. Começou com R$ 1 milhão e desceu a R$ 700 mil. A Federação Cearense de Futebol (intermediária) oferece R$ 500 mil. O Ceará tem todo direito de aceitar ou não. E não quer aceitar esse valor. O patrocinador paga se quiser. E eu com isso?!
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    O presidente do clube tem lá seus motivos e argumentos. Alega, por exemplo, que aceitaria esse valor, desde que não tivesse de colocar a marca de uma empresa do Grupo patrocinador nas camisas e que o contrato fosse revisado ano a ano. Por isso, pede R$ 250 mil a mais que a cota aceita pelo Fortaleza. A barganha é um direito natural e deve ser exercido pelo bom negociador.
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    Não vou questionar a posição do Ceará nem defender os argumentos do patrocinador. Negócio é negócio. Só parte para a barganha quem está bem no mercado. Essa é a diferença entre a aceitação pacífica do Fortaleza e a discussão numérica do contrato pelo Ceará. Quem for mais forte (Ceará x patrocinador) ganha a queda de braço. Nessa, o Fortaleza é mero expectador porque não tem poder de barganha.
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    Roberto Carlos quebrou contrato
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    O lateral-esquerdo Roberto Carlos pode começar a temporada 2011 com uma grande dor de cabeça para resolver. O Fenerbahçe, da Turquia, clube que o jogador defendia antes de acertar sua transferência para o Corinthians, entrou com uma ação na CAS (Corte Arbitral do Esporte), cobrando R$ 2,2 milhões (um milhão de euros) do camisa 6.
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    Os turcos alegam que Roberto Carlos ainda tinha vínculo vigente com o clube quando assinou contrato com o Corinthians, o que caracterizaria quebra de acordo, sujeita a multa. Roberto Carlos admitiu a existência da pendência, mas fez um adendo. O Fenerbahçe ficou devendo quatro meses de salários a ele e, portanto, contas teriam de ser feitas para ver quem deve a quem.
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    Eis a questão! É Roberto Carlos quem está sendo acionado na Justiça. No Tribunal, vai ter de provar que foi enganado ou que deixou de receber por um determinado tempo. Se não conseguir provar e o martelo baixar na madeira, vai ter de meter a mão no bolso. Negócio é negócio.
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    Luciano Henrique preso ao contrato
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    A mesma analogia pode ser usada para o caso do meia Luciano Henrique, que tem contrato com o Fortaleza até janeiro de 2011, mas está sendo "namorado" pelo Ceará com uma proposta tentadora, segundo os setoristas do clube. O Fortaleza diz que quer o jogador, mas não aceita pagar o salário atual (R$ 30 mil) e está com dificuldades para pagar valores em atraso.
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    O Ceará lançou a oferta e aguarda resposta. O Fortaleza tem a garantia legal até o término do contrato e só. A decisão será de Luciano Henrique assim que estiver livre. É o jogador quem tem o poder de barganha nesse momento e, pelo que se anuncia, já teria decidido que não permanecerá no Fortaleza.
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    Certo ou errado? Nem uma coisa nem outra. Negócio é negócio. Ninguém é obrigado a pagar o que pedem e ninguém é obrigado a receber o que oferecem. A liberdade do jogador, conquistada com a Lei Pelé, facilita a escolha do destino a seguir. O que era uma relação de cumplicidade virou uma relação de negócio.
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    Assim como os jogadores ganharam "asas para voar", os clubes podem fortalecer suas defesas e endurecer o debate quando o assunto for negociar o valor da marca. Para isso é preciso ser profissional, organizado e vencedor. E, olha que o Ceará não ganhou nada ainda, mas os primeiros passos na direção da organização profissional começam a surtir efeito.

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